LUIZ GERALDO MAZZA
Requião e Maquiavel
Maquiavel desenvolveu uma reflexão sobre o que é mais conveniente: ser amado ou ser temido, uma das boas páginas da filosofia política. Há quem evite a opção e busque oscilar, pendularmente, nos dois polos. O nosso governador, ao contrário do prefeito Beto Richa, que busca ser o mais amado possível, aposta no efeito contrário, o de manter-se em alta pela intimidação. E o faz normalmente na ''escolinha'' ou ainda em falas do trono como naquele momento em que assumia, cumulativamente, a secretaria de Segurança, o que é interditado constitucionalmente, a pretexto de combater a ''banda podre'' da polícia ou nos éditos proibindo os transgênicos e jogando o pedágio na alternativa entre baixar e acabar. Todos esses casos de batalhas perdidas, como se viu recentemente não apenas nos números da violência que revela uma pasta, a de Segurança, catatônica diante da escalada criminal e isso sem falar no absurdo das gravações feitas pela Rede Paranaense de Comunicação com a mordomia e abusos de policiais presos na Delegacia de Furtos e Roubos de Automóveis batendo papo em telefones celulares com o mundo exterior à moda dos sentenciados do crime organizado.
Conhecer-se a si mesmo
Quando o auditório é atingido por seus motejos e agressões - e nem o seu mais importante secretário, o tributarista de nome nacional, Heron Arzua, deles escapou - o que se nota é que os caricaturados e criticados absorvem as ofensas disciplinadamente e acabam as metabolizando como quem numa radiografia de estômago engole bário para fazer o contraste da chapa, puxando aquele chicle interminável ao tubo digestivo.
O ''nosce te ipsum'' - o ''conhece-te a ti mesmo'' nas versões de Sócrates e de Jesus - é menos dele, o comandante em chefe, do que dos liderados. Que afinal, por se conhecerem sem condições de enfrentar quem os agride, agem como se dominados por uma compulsão que parece provocar, ao menos em alguns deles, uma estranha e forte dose de prazer.
Essa atuação mexe com os níveis de resistência de pessoas e instituições. E com isso as desafia com o que presta serviço, de forma oblíqua, à democracia como se deu com os meios de comunicação e o Ministério Público. Se o agredido é uma pessoa necessitada, que carece do espaço que ocupa no governo para sobreviver, a crueldade chega ao refinamento da opção de ser temido.
Contestação pedagógica
O incrível em matéria de desfaçatez é a mensagem ao Legislativo sobre o ''direito de resposta'' na TV e Rádio Educativa. Ora a prática dentro da ''escolinha'' é a de constranger, oprimir. Que conceito é esse de contraditório em que apenas uma versão, e de traço majestático e imperial, prevalece? Os que foram convocados para o debate como a presidente da Associação do Ministério Público, Maria Teresa Uille Gomes, acabaram submetidos às grosserias não apenas do chefe como também da claque ou ainda o conselheiro Fernando Guimarães do Tribunal de Contas que foi à ''escolinha'' e pronto para dar resposta às provocações e que enquanto lá esteve o corajoso governador nada disse e só o fez quando soube que se ausentara.





