Recíproca da fidelidade

Afinal há agora pelo menos um símbolo forte da política nacional para checar a questão da fidelidade partidária com a decisão da senadora Marina Silva de deixar o PT. Contra ela, ainda mais depois do episódio constrangedor do arquivamento das denúncias contra José Sarney, dificilmente teria a sigla a coragem de suscitar judicialmente a tese de que o mandato é do partido. Talvez, ousassem fazê-lo contra o senador paranaense Flávio Arns que, a despeito de ser uma liderança de movimentos sociais, não tem o halo quase místico que orna a cabeça da acreana.

Mas embora Marina considere que não há mais espaço no PT para o exercício, e esse nunca foi tão necessário como agora, da utopia e ela se disponha a fazê-lo em outra agremiação, toda essa carga é colocada contra o pragmatismo ora dominante, no qual é impossível defender, de forma ampla, o desenvolvimento sustentável e a retomada das preocupações éticas que o acompanha.

Nenhum partido (até porque os demais jamais fugiram do imediatismo) é melhor cobaia do que o PT para evidenciar o desprezo ao programa e à doutrina e provocar, o que pretende Flávio Arns, o Judiciário para que ele se pronuncie sobre a infidelidade praticada pelo partido em relação aos seus fundamentos.
A subversão dos princípios está aí ínsita e queima de tão abrasiva.

Pesquisa

Mais degradada que os partidos está a imagem das pesquisas eleitorais.

Fumo

É visível a intenção de com a lei antifumo, o PMDB estadual mostrar afinidade com José Serra. O PT em São Paulo votou contra; aqui, afinado, fez parte do rolo compressor. Curioso é que no recurso no STF contra o rigor da lei, a AGU, Advocacia Geral da União, deu parecer pela inconstitucionalidade. Como se vê até uma cruzada como essas é politizável.

Crença

Pessuti acha que agora deslancha com a afirmação de Requião de que ele é o candidato do PMDB. O Moreira também achava. O Pessuti não merece, por sua lealdade, qualquer tipo de ''cristianização''.

Novidade

No Paraná é assim: novidade é anunciar Beto Richa como pré-candidato, o que confirma a nossa incontornável mediocridade. Só resta agora, como derradeira novidade, Alvaro Dias aparecer com pesquisas que o projetam no espaço sideral.

Folclore

Um secretário, mais sectário do que secretário, do PT disse que o senador Flávio Arns pouco significa. Na ditadura partidária é assim: o burocrata sem voto tem mais expressão do que o eleito. Vide Doático mais forte do que Fruet.

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