Pesquisas, o mito

Das pesquisas o que se pode dizer é que vale mais acreditar em Deus do que nelas porque não poucas delas sugerem que Lula, Alvaro Dias, Beto Richa e Requião têm credibilidade maior do que a Dele e, portanto, com os dons da onipresença, onisciência e onipotência.

O debate

Quando uma pesquisa como a que foi solicitada no PSDB por Alvaro Dias e que reverte os números da anterior ela nasce sob suspeição. Aliás urge fazer uma revisão na extratificação das classes especialmente se for verdade o que institutos afirmam sobre o adensamento da classe média com o avanço do consumo, apesar da crise, na ''C'' e ''D''.
Pesquisas deveriam ser submetidas a um sistema de autorregulação como esse da publicidade e a cargo de órgãos de controle do exercício profissional da sociologia e da estatística, velha tese do especialista Rogério Bonilha.

Intolerância

A campanha contra o fumo fez o proselitismo que deveria e com respaldo de uma certa dose de terrorismo, como a das advertências nas carteiras de cigarros e nos vídeos (caras que perdem o braço e a perna em acidentes vasculares ou com os pulmões tomados pelo enfisema e o câncer) e agora fecha o cerco decalcando a lei paulista. A forma como o assunto foi conduzido no legislativo é digno do estilo Ku-Klux-Klan. Felizmente houve mediação para evitar mais uma vitória do fascismo que no Paraná é institucionalizado.

Sabedoria

Quem teve a melhor e mais inspirada intervenção no debate foi o fumante Caíto Quintana ao perguntar por que não fechar, de uma vez, as fábricas. Com essa proposta aparentemente ingênua desmontou o circo fundamentalista e desvelou a hipocrisia do Estado que não faz isso simplemente para não perder os ganhos fiscais imensos. Foi um dos raros momentos de aplicação do método socrático, o da ''maiêutica'', processo dialogado que por indução leva à parturição (o parto) da verdade. Quem diria que o declamador de gauchismos e que sabe bater o pé como tradicionalista fosse dado a sutilezas ontológicas.

Folclore

Com essa estória de transformar a Arena da Baixada em campo comum para coxas e atleticanos houve a lembrança inevitável de que esperá-la seria como crer na união das famílias dos Montecchio e Capuleto que deu origem à tragédia romântica de Romeu e Julieta. Pois no jornalismo romântico dos anos 40, século passado, fizeram uma perfídia com o retórico e panfletário Dicésar Plaisant ao encomendar-lhe uma nota social pelas bodas de ouro do casal Romeu Montesco e Julieta Capuleto, pioneiros do bairro-colônia, ainda não tomado aquele tempo pelo frango, risoto e raditche dos restaurantes. Distraído, Dicesar, no seu estilo gongórico, escreveu a nota, alvo de intensa gozação.

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