Identidade e diversidade

O fato de a maioria da torcida em Cascavel ter se postado em favor do Santos e não do Coritiba restabelece o confronto sociológico entre identidade e a diversidade, constante no processo civilizatório do Paraná. Obviamente se o time adversário fosse gaúcho o predomínio seria maior ainda.

Aquilo que muitos reclamam (a falta de identidade do paranaense, que diante do espelho resultaria em imagem nenhuma) não pode ser colocada numa região que se caracteriza, principalmente pela sua marcante diversidade a partir do século 19 naquilo que Wilson Martins viu ''um Brasil diferente'' opondo-se à tese da origem luso-brasileira de Gilberto Freire e outros.

O historiador Rui Wachowski viu um mosaico de três Paranás, o tradicional do sul, o gaúcho do oeste-sudoeste e o paulista-mineiro do norte. Iniciativas para integrar o Paraná, que se acentuaram nos anos cinquenta século passado, se deram mais no plano físico-territorial do que no cultural. Felizmente o norte reduziu a sua dependência de São Paulo além de ter eleito governadores da região como José Richa, Alvaro Dias e sobretudo Paulo Pimentel, o prmeiro a marcar essa nova fase nas relações políticas.

Grã Curitiba

Tirando os grandes momentos do Londrina e do galo maringaense e um feito isolado do Cascavel e do Comercial de Cornélio Procópio, o mais das vezes só prevaleceram clubes da Capital. Não temos um clube de expressão nacional, ainda que Coritiba e Atlético tenham sido campeões brasileiros. Não ultrapassam a Região Metropolitana e esse é um limite fatal, enquanto Grêmio e Internacional, por exemplo, têm torcida em todo o país que acompanha o rumo das intensas migrações gaúchas. Aí até a mídia riograndense leva a vantagem por essa dispersão no território nacional alcançada por seus veículos.

O mais paradoxal é que muitos rituais, decorrentes do tropeirismo e de seus hábitos culinários, tiveram origem no Paraná só que aqui não contaram com a mobilização de tradicionalistas. Tanto é que a erva mate era nossa e do Mato Grosso e Santa Catarina, e na raiz do Paraguai, quando se celebra o chimarrão como referência mais ao sul. Ervais aqui eram nativos e os cultivados surgiram primeiro no extremo sul.

Bola como referência

Há uma indisposição contra a capital, aqui e alhures. Sabida a tensão forte Campinas-São Paulo. E os times do futebol do interior, além da dificuldade de montá-los e mantê-los, eram prejudicados notoriamente pelas arbitragens como se deu com o Monte Alegre (sustentado pela Klabin), Guarani de Ponta Grossa, a Desportiva Jacarezinho e a Cambaraense. A forma como a diversidade está presente no futebol mereceria a reflexão da busca da integração cultural como se viu na história do basquete especialmente com Ponta Grossa, Londrina, Cornélio Procópio e Paranaguá e também a do futebol de salão da Inpacel, várias vezes campeão nacional. Infelizmente há mais músculo do que espírito na cuca dos nossos dirigentes esportivos para uma ação concatenada no setor.

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