História e histeria de vices


A primeira das ironias com vices foi a de Café Filho, regra três de Getúlio Vargas: passou a apoiar o grupo da UDN ligado a militares logo depois do suicídio do presidente. Havia uma visão conspiratória contra Lyndon Jonsson que assumiu com o assassinato de Kenedy e o que se viu foi um avanço mormente nas áreas sociais.

No Paraná, desde que o posto foi criado, tentou-se uma acomodação entre Capital e interior, mesmo nos pleitos indiretos como aquele que colocou um estadista, José Hosken de Novaes, representando o segundo pólo urbano, o de Londrina, para a dobradinha com Ney Braga. E a própria eleição de Paulo Pimentel se deveu, e muito, em função da escolha do seu vice, Plínio Franco Ferreira da Costa, como expressão da Capital.

Nem sempre há harmonia: quando Alvaro Dias ameaçou deixar o governo para disputar o Senado percebeu que se o seu vice, Ari Queiroz, assumisse a eleição de José Richa estaria garantia. Daí explodiu e chamou a conspiração, que tinha no comando o Anibal Khury, de ''filhos do mal'' quando certamente desejava dizer outra coisa menos elegante.

A reação de Mário Pereira

Na chapa de Requião hoje o vice é Orlando Pessuti, já calejado para mostrar aborrecimento com maus-tratos e piadinhas, mas no primeiro governo foi Mário Pereira que, aborrecido com agressões, deu o troco e instalou até sindicância para apurar manipulações com as ''diárias frias'' e isso sem contar que operou contra a candidatura presidencial do ex-titular na prévia do PMDB nacional contra Orestes Quércia. Mario ao lado de Osmar Dias, outro agredido constante por Roberto Requião, liderou a resistência em comícios populares contra a cassação do então companheiro pelo TRE.

Há quem diga, diante das provocações contra Pessuti, que ele poderia ser um João Elísio que não criou problemas para Richa, um Hosken de Novaes que agiu no governo sem favorecer Saul Raiz nas eleições como estadista ou ainda um rebelado como Mário Pereira. Vai ser o Pessuti, o ameno de sempre.

Agora a suspeita

Na vice de Beto Richa está o médico Luciano Ducci que é do PSB, da aliança nacional de Lula. Se Ciro Gomes, também do partido, sair como o postulante em São Paulo para respaldar o palanque da Dilma e minar o de José Serra, não escapará à convocação e aí não haverá como impedi-lo de atuar na mesma direção num eleitorado estratégico e denso como o de Curitiba. Esse um risco sério e que deixa atarantados os cardeais do tucanato. Mais uma vez entra em cena o questionamento que alguns militantes do PSDB já vinham colocando. Tudo isso é suficiente para cortar a euforia dos partidários de Beto Richa e assanhar Alvaro Dias e o próprio Requião que ajudaria, como fez com o Moreira no pleito municipal, a cristianizar o Orlando Pessuti.

Dos vices ficou uma frase clássica de Hosken de Novaes quando lhe perguntaram o que faria nessa posição: ''recolher-me à minha insignificância''. Cansei de vê-lo dispensando o carro oficial e levando na mão a compra do supermercado para casa quando era governador.

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