LUIZ GERALDO MAZZA
Risco em Londrina
O confronto de posições sobre o transporte coletivo em Londrina é bem mais salutar do que o de Curitiba, onde prevalecem relações pactuais de meio século no mínimo. Só a existência de uma CEI no Legislativo londrinense já é algo impensável na Capital. Se há, porém, essa vantagem para abrir o processo e torná-lo mais aberto nem tudo o que se cogita é saudável como por exemplo a ideia de permitir transporte alternativo na base de vans e kombis em caso de uma greve. Já se sabe como começa e como termina esse tipo de concessão: ele não tem volta como se dá em São Paulo e no Rio e operado pelo crime organizado ou pelas milícias que juntam ao sistema a comercialização de botijões de gás, água e tv a cabo e, é claro, drogas.
Na Região Metropolitana houve recentemente esse tipo de distorção em cidades de médio porte como Araucária e Campo Largo felizmente atalhado pela polícia e também pela reação dos empresários do sistema.
Discussão de planilha é de ordem pericial e técnica e não é crível que não haja quadros num centro universitário como Londrina para dar encaminhamento racional a uma questão como essa que envolve mais econometria e cálculo atuarial do que fervor político, embora este não seja desprezível.
Corsarismo
Em Curitiba houve também a concorrência dos taxis piranhas que vinham de cidades da periferia para disputar o ''filé'' da Capital. Como é também uma área de relações pactuais (ao ponto de a Urbs cobrar mensalidade dos taxistas) e inelástica (há anos que não se concedem placas) e o sistema está amarrado e politicamente com aparência de estabilização. Com a liberação do mototáxi vai haver choro e ranger de dentes. Se o mercado estiver saturado serão criadas dificuldades políticas e burocráticas para abrir o sistema à novidade.
Esse problema vai repetir-se em Londrina, Maringá, Foz, Ponta Grossa, Cascavel etc. Um pepino azedo.
Saques
A história no Paraná se repete por falta de imaginação: estão aí os mesmos de sempre habilitados à sucessão. O encontro preliminar de ontem entre o PT e o PMDB está bem à altura do panorama: o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, diz que se não houver consenso na base aliada (aí entra o PDT também), ele sai pelo partido como candidato à sucessão. Orlando Pessuti tem mais bagagem eleitoral, especialmente com empurrãozinho de Requião. Só que este se faz de difícil como aconteceu com o Moreira na eleição municipal. Para o Moreira ele escalou o sem votos, Doático Santos e para o Pessuti sobra para o Romanelli ou o Pugliesi. E agora surge a especulação de que Beto Richa disputaria o Senado certamente com a intenção de assustar Requião. Ficaria pior se saísse Osmar Dias que poderia figurar em primeiro lugar.
Folclore
É mais fácil achar o tesouro do Pirata Zulmiro do que os diários oficiais da Assembleia Legislativa em sua forma impressa.





