LUIZ GERALDO MAZZA
Haja laranjice
Como chamar alguém de traído ou de corno, até em função das novelas globais, virou algo fora do mundo contemporâneo, assim também nenhum laranja em política - e eles numericamente superam o dos que representam o povo em câmaras municipais e legislativos estaduais ou federais - admite ser assim tratado. No passado, notadamente em se tratando de pregações revolucionárias, eram voluntários e não portadores de cargos em comissão que pichavam os muros com palavras de ordem como aquelas referentes ao conflito de terras nos anos cinquenta em Porecatu solidariedade aos camponeses do norte! Viam naquilo a fagulha da revolução que se ampliaria como o determinismo marxista, com força profética, anunciava.
Quando o laranja é do Partido Verde, e isso acontece, pode-se ter o caso como o de uma redundância, afinal o agente laranja que os americanos lançaram no Vietnã era justamente para anular a cobertura vegetal e tentar devassar os aparatos vietcongs. Tanto do lado do Beto Richa como dos que o atacam há uma legião de laranjas que coloca os seus talentos, se é que há algum, a serviço de causas obscuras como se estivessem decidindo não apenas uma parada política e sim o próprio destino da humanidade.
Guerra dos muros
Dizem que pode ser o mesmo autor das frases Fica? Ficou e sujou com aquela da eleição de José Richa e que pretendia beneficiar Saul Raiz. Era assim Saul Raiz ou um salto no escuro. E o pessoal de oposição mexeu no texto que ficou assim Saul Raiz, um salto no escuro. Agora a turma contra Requião e a favor do prefeito botou o nome de Requião na frente e com a observação Fica? Ficou e sujou.
Só que a montagem da história do salto no escuro era precedida de anúncios sobre a eficácia da Copel (empresa que servia de assento logístico para as campanhas eleitorais) mostrando um usuário ensaboado e que de repente seu chuveiro deixava de funcionar por falta de energia. Essa sofisticação toda foi derrubada com um arranjo frasístico.
Mais laranjice
Sábado retrasado a mensagem da juventude socialista do PPS via twitter para uma suposta manifestação anti-Sarney na Boca Maldita deu na trave. Como se utiliza de um meio, um tanto quanto sedentário, a rapaziada achou que só a convocação já era por si suficientemente enfática. O fato é que ninguém apareceu para combater o senhor feudal do Maranhão até porque estava convocada, por um grupo de partidos, com banda de música e tudo o mais, outra para condenar o decantado caixa dois da campanha de Beto Richa. Se a intenção era a de neutralizar a manifestação não funcionou o que não quer dizer que o discurso da ética e de fantasmices tivesse qualquer autenticidade pela origem dos pregoeiros, afinal conhecidos criadores de baixarias e acumuladores de derrotas eleitorais.
Na França minorias étnicas usaram a internet para atos de sabotagem e queimas de automóveis; no Irã são surpreendentes os efeitos como também na campanha, entre jovens, de Obama. Mas aqui não deu certo. Ao menos neste caso.





