LUIZ GERALDO MAZZA
Avaliação de conceitos
Em primeiro lugar submissão não é lealdade, ainda que agradável ao chefe de plantão e conveniente aos que se agarram nos cargos. Isso se dá em nível local e também estadual e nacional. Os exemplos são viscerais e estão aí tanto no governo estadual nas tediosas reuniões da escolinha ou nos atos de sabujismo na vida municipal.
Outra coisa: cupinchismo difere da amizade. E também se aplica nos três níveis referidos. A cobertura que o prefeito da Capital deu ao seu ex-chefe de gabinete, Ezequias Moreira, no flagrante do ''vaso comunicante'' salarial com a sogra, não se insere no campo da amizade pela gravidade da situação constatada, além disso agravada por manifestações de cobertura ao infrator e que continuou como homem de primeiro time, ainda que deslocado para a Câmara Municipal, quando se aconselharia um distanciamento temporário de inevitável traço pedagógico no aguardo da poeira assentar.
A submissão conflita, na essência, com a lealdade porque não o é quem se omite e não denuncia o que pode prejudicar o companheiro no posto mais elevado como se dá todo o dia e em todos os cenários.
Radicalismo necessário
Se não fôssemos tão patrimonialistas e cartoriais a austeridade poderia ser uma bandeira como, durante algum tempo, a da ética quase se constituiu em monopólio do Partido dos Trabalhadores, o que foi abertamente desmascarado antes mesmo do mensalão e dos dólares na cueca. À cada vez que se levanta a causa de um mínimo de ética imediatamente se procura apodar a iniciativa de moralista, da direita e ressurreição da União Democrática Nacional que fazia pregação do primado da moral sem praticá-lo. Um exemplo regional foi o de um radical como Haroldo Leon Perez, uma versão cabocla de Carlos Lacerda, e que acabou obrigado a renunciar pela Redentora que o havia ungido por ter sido apanhado em atitudes suspeitas com o empresário Cecílio do Rego Almeida.
Com a existência hoje de instituições mundiais e nacionais que medem nossos níveis de corrupção (episódios do Senado com os atos secretos simplesmente reafirmam a circunstância de não termos ainda historicamente vivido o ciclo equivalente, em escala mundial, ao da Revolução Francesa) dá para perceber que vivemos sob um regime senhorial, com marcas feudais e por isso essencialmente não republicano como acentuava o senador Jefferson Peres demonstrando a incompatibilidade entre democracia e patrimonialismo como vemos no Paraná, onde uma empregada doméstica do governador recebia grana no legislativo.
Extensão das mãos
Há um texto clássico de Marco Túlio Cícero, já aqui referido, contra Caio Vérres (que deu origem às ''verrinas'') em que o orador mostra como os atos praticados pelos seguidores do gestor se constituem numa extensão das suas próprias mãos. Alguém recebeu a grana é como se ele, e não o intermediário, a houvesse dado. É um texto abrindo a compreensão de que assessores e aspones são uma continuidade das mãos longas do poder. Breve o republicarei.





