Mediocridade incontornável
O fato de não termos uma atuação política à altura da nossa importância como sociedade organizada, que tem uma apreciável saga civilizatória, deve-se essencialmente à nossa pobreza de quadros. A mesmice dos agentes políticos, com seu marketing pegajoso e a repetição de bravatas, é que explica o fosso abismal que os separa de uma atuação voltada à mudança, ainda que isso esteja em todos os discursos.
Corre-se o risco até de uma deformação interpretativa pela hipótese de haver uma ''idealização'' do passado pela insuportabilidade da mediocridade atual. Nem espremendo o que essas figuras dizem, e submetido o processo à depuração pasteurizadora, extrai-se qualquer dado, uma ideia mínima que seja, que não repita os chavões e arquétipos da demagogia.
Há dois ministros paranaenses no governo Lula e a despeito de suas melhores qualificações dos que desfilam na passarela nem sequer são murmurados como uma hipótese plausível de candidatura. Desde 1954-55, quando o Paraná retomou posições ministeriais, primeiro com o médico Aramis Athayde, na Saúde, e depois com o governador Munhoz da Rocha, aquela circunstância era colocada até para objetivos maiores. Café Filho, que substituiu Vargas, queria o paranaense e seu compadre participando do processo sucessório nacional que não emplacou.



Os pombos e Ney
Antes do regime militar e com Jango no governo, o Paraná levou Amauri Silva para o Ministério do Trabalho com o propósito de fazê-lo governador. Depois do golpe tivemos Flávio Suplicy de Lacerda na Educação e Ney, mais à frente, no Ministério da Agricultura, que fora ocupado por Bento, e logo depois, sob Costa e Silva, pelo engenheiro Ivo Arzua Pereira. Nesse caso havia um setor militar que esperava que Arzua se habilitasse ao governo e que se saíra bem na gestão prefeitural de Curitiba.
Tanto Reinhold Stephanes como Paulo Bernardo, este em especial por sua clara sobriedade e domínio dos assuntos que administra, embora o primeiro tenha mais viabilidade eleitoral, são bem mais qualificados, pelo efeito-demonstração, do que a galeria dos cogitados.



Gravações, outra vez?
A mediocridade é tamanha que corremos o risco da repetição de gravações (como aquelas que levaram o Rasera à prisão mais recentemente) ou aquela outra que assegurou a primeira vitória de Requião com a farsa Ferreirinha. Dá para lembrar inclusive que as pessoas que mais se empenharam, por fidelidade de partido, ao então cassado governador foram justamente seus adversários de hoje Osmar Dias e o vice-governador Mário Pereira. Isso deve se dar agora com as fitas que comprometeriam o ex-vereador Manassés de Oliveira e sua equipe, já demitidos por Beto Richa, mas capazes de operar, nas mãos do governo, a sombra de uma crise que prejudicaria, da forma como será explorada, justamente o mais forte, pelo menos nas pesquisas, dos candidatos. Até nisso a repetição e com ela a essência da mediocridade dos nossos quadros.

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