Insegurança elástica

Como a questão da segurança é onipresente não espanta o fato de até nos registros do Unicef em que se cruzam os fatores da escolaridade como inibidor e propulsor da violência percebermos o quanto o Paraná é vulnerável. Enquanto os indicadores relativos a 2007 apontavam que havia 39 mil crianças da faixa etária de 4 a 6 anos, que é obrigatória, fora da escola, o número se elevava para 108 mil entre adolescentes de 15 a 17 anos.

Se tais referenciais punham em cheque a euforia com que o governo estadual costuma celebrar seus supostos feitos na área da educação, aliás contestados pelas avaliações mais abrangentes do Ministério da Educação, nas quais temos uma presença negativa, fora de nossa tradição, no ''ranking'' havia uma outra ainda mais terrível: a taxa de homicídios na faixa etária de 10 a 19 anos quase dobrou entre 2000 e 2006, saltando de 15,6 por 100 mil habitantes para 30,6 em 2006.

Desestruturação familiar
No item classificado como proteção, o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância mostrava que 9.091 famílias paranaenses eram chefiadas por crianças e adolescentes menores de 18 anos em 2007. Aquilo que parecia uma ficção de Jorge Amado no ''Capitães de Areia'' no Brasil ruralizado antes dos anos trinta do século passado ganhava progressão geométrica. No ano anterior havia 14.530. Assim, pois, da mesma forma que toda a problemática social acaba aparecendo na questão da segurança, esta igualmente se mostra impotente para fatos como o das mães menores de 15 anos e que simplesmente revelam a frágil arquitetura familiar. Mães com essa faixa etária aparecem em 1994 em 1.260 casos e em 2006 passou a 1.358.

A mortandade de fins de semana em Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu de menores e adolescentes, atribuída a cobranças do tráfico e até mesmo a esquadrões de extermínio, se transformou em rotina. Também há um dado mais terrível: o da forma como o ''crack'' está chegando nos bolsões de pobreza e com efeitos aterradores. O pior é que caminhamos, como sociedade, para uma espécie de embotamento diante dessa calamidade, tal a forma como aceitamos essa banalização como se fosse algo que nada tem a ver com as nossas vidas.

Carta de Puebla
Tão candente e fraterna como a Carta de Puebla temos na história e doutrina do planejamento paranaense a inspiração do padre Lebret, arauto do movimento de Economia e Humanismo e que aparece forte no governo Ney Braga em 1963 num Plano Trienal. Quando vemos essa incidência de fatores sociais lembramos que a Sagmacs (Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas aos Complexos Sociais) propugnava na estrutura estatal dois comitês: um de caráter mobilizatório para o social, reunindo as respectivas secretarias (Educação, Cultura, Saúde, Assistência Social e Segurança) e outro operando sobre as ações fiscais e econômicas (Fazenda, bancos estadual e de fomento, área de indústria e comércio, cooperativas).

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