LUIZ GERALDO MAZZA
Migração de cérebros
Um dos problemas sérios em ciência e tecnologia é a constância do fenômeno da evasão de massa cinzenta. Claro que nem sempre o peso das potências mais fortes é que decide essa migração. Institutos que se qualificam, mesmo em cidades de menor porte (e é visível nos testes tanto do Enad como no dos ''provões'' como as nossas universidades estaduais se posicionam bem e tal se repete no interior paulista) conseguem uma polarização surpreendente. Graças ao geneticista já falecido Newton Freire-Maia, Curitiba se transformou num centro de excelência na especialidade.
Tivemos também uma evidência fortíssima nas áreas de engenharia hidráulica e hidrologia com figuras marcantes como Nelson Souza Pinto, consultor em projetos internacionais, e José Gomide, ex dirigente da Copel e Itaipu. Se no caso de Freire-Maia tudo se deu no âmbito universitário no caso de hidráulica e hidrologia as coisas simplesmente decorreram das ações da Copel e do seu patriarca, o engenheiro Pedro Viriato Parigot de Souza. De outro lado se não tivéssemos a estatal de energia dificilmente teríamos como exercer esse papel e segurar essa mão de obra estratégica.
Uma referência inesquecível
Às vezes, e isso ocorreu no Paraná ao tempo de Manoel Ribas e até o primeiro governo Ney Braga, a própria estrutura estatal é quem monopolizava um centro de pesquisas e de produção de vacinas (a anti-rábica e contra a peste suína) como se dava no IBPT, Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas. Hoje, com outras funções, substitui aquela unidade multidisciplinar, o Tecpar.
Como estamos agora no surto da influenza, apelidada de gripe suína, dá para lembrar que no final dos anos cinquenta houve uma epidemia (que os primeiros sobressaltados acreditaram que se transformaria em pandemia) um biólogo do IBPT, Astolpho de Souza, depois de contactos com Manguinhos e outros centros do Brasil, desenvolveu a vacina específica e que foi aqui aplicada.
Nem a Universidade Federal tinha um dispositivo tão forte quanto o IBPT e isso é tanto verdade que o ex-ministro Flávio Suplicy de Lacerda, mais de uma vez, tentou absorver aquele centro de estudos que na verdade tinha em seus quadros mestres e doutores que também lecionavam na Federal.
Um ranking esclarecedor
Discute-se muito a qualidade do ranking que se faz sobre as universidades, mas fica visível que Santa Catarina detém posição excepcional em cursos de graduação e pós em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial como dos melhores existentes no Brasil. Nessa listagem houve tempo em que a Engenharia Florestal do Paraná era a que atribuía mais pontos à nossa universidade. Às vezes surpreende o fato de nossos vizinhos mostrarem mais sensibildade ao convocarem mestres aposentados daqui para lecionarem por lá como é o caso do geólogogo João José Bigarella, esse um verdadeiro guerreiro do ambientalismo, e do filósofo matemático, autoridade mundial, Newton Carneiro Affonso da Costa. A sinergia entre órgãos estaduais e universidades foi uma lição que nem sempre é repetida.





