Euforia injustificável

A esmagadora maioria do público vê com otimismo a indicação de Curitiba hoje como uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014. E mais que isso acredita que esse evento trará efeitos multiplicadores não apenas para a economia como ainda em favor da cidade que teria melhorias urbanísticas, dentre elas essa promessa absurda do metrô, algo até hoje mal discutido.

Já aprendemos o suficiente com a sediação dos Jogos Panamericanos no Rio que tinha um orçamento de R$ 700 milhões e acabou custando mais de R$ 4 bi, como afinal é da tradição da nossa prodigalidade, ainda mais quando não se transforma em alvo de órgãos como o Tribunal de Contas da União. A vinculação do esporte à higidez, à saúde, serve de respaldo para ocultar o que há de negativo e esse mimetismo é eficaz.

É claro que pior seria se a capital paranaense fosse descartada. Agora olhar esse evento como uma espécie de panacéia aos nossos males é pior e menos sério do que o já acumulado estoque de mitologias sobre Curitiba e sua suposta condição de modelo em tantas coisas.



Futebol e política

Em passado recente no lamentável ciclo dos estádios gigantescos distribuídos pelo país e no refrão de que onde a Arena, partido oficial, estivesse mal se colocaria mais um clube no campeonato nacional, assistimos essa apropriação indevida, em que pese a proclamada austeridade do regime militar, do futebol para fins de proselitismo político. Quando da Minicopa de 1972, nos festejos do cinquentenário da Independência, o então presidente da Federação Paranaense de Futebol, José Milani, no empenho em construir o Pinheirão, advertia, com aquele sotaque de italiano colonial, de que se a obra não estivesse pronta não teríamos jogos da competição por aqui. E houve um, é claro no Couto Pereira, o de maior porte, entre Iugoslávia e Bolívia que atraiu pouco mais de 5 mil torcedores.

O Milani era um dirigente honesto e que entendia que o Pinheirão (o projeto era de mais de 100 mil torcedores, mania da moda) estebeleceria um maior equilíbrio, tirando um monopólio que supostamente beneficiaria os coxas. Daí a sua prensa e sua pregação. O Pinheirão virou o mausoléu do nosso futebol, mas não por culpa do dirigente.



Custo-benefício

Indispensável é fazer reflexões apropriadas de custo-benefício dessa escolha. E uma das maluquices boladas pelo Coritiba para fazer emulação com o Atlético, o natural beneficiário pelas condições excepcionais do seu estádio, foi a montagem do monstrengo de um projeto que acumularia shopping, uma central de convenções e um hotel, o que obviamente se revela incompatível com aquele espaço urbano. Dá para imaginar numa quarta-feira, dia de romaria à igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e com jogo no estádio, a impossibilidade da circulação naquela parte da cidade.

A ideia, porém, de sacrificar, ao menos em parte, a Praça Afonso Botelho, é algo que há muito por aqui não se pratica - a privatização de espaço público. Todas essas questões precisam ser avaliadas, o que é impossível quando em cada cabeça há menos uma sentença e muito mais algo como uma fonte luminosa.

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