LUIZ GERALDO MAZZA
Transparência e bloqueio
É inevitável em política fazer estudos analógicos sobre comportamento: a mentira aqui está no respirar de deputados, senadores, vereadores, prefeitos.
Trata-se, portanto, da normalidade, da praxe. Nos Estados Unidos ela derruba um presidente. Aqui também é comum ocultar coisas, manter caixas-pretas e quem o faz é olhado como ético na corporação. Na Inglaterra por esse pecado Michael Martin é o primeiro presidente da Câmara dos Comuns desde 1695 a renunciar, o que ele faz simplesmente por ter se oposto à liberação de informações sobre gastos abusivos com verbas extrassalariais, tal qual houve em nossa Assembleia tupiniquim como também no Congresso Nacional, embora não tenha incidido em qualquer dos abusos constatados. Ao fazer-se guardião do bloqueio, também encontrou na renúncia uma forma de penitência.
Vamos com o tempo ver se o tal projeto de transparência do Legislativo afinal funciona. O normal é o opaco, distante do transparente e do translúcido.
Passeatas
Passeatas, carreatas e missas foram peças importantes da pressão popular para que a polícia indicasse os assassinos de Amanda Rossi. Em Curitiba, no domingo, (Parque Barigui) haverá passeata pela paz (caso Carli Filho). Família Yared quer transformar a causa em surgimento de ONG.
Moratória
Em função dos incidentes judiciais na licitação metropolitana do lixo não espantará ninguém se for concedida nova moratória ao aterro sanitário da Caximba, apesar da prometida resistência do Instituto Ambiental do Paraná. Argumento será, como no dos radares, fundado em calamidade pública.
Esperanças
Ontem caíram a quase zero as esperanças de Carlos Simões salvar seu mandato no TSE. Vai insistir, enquanto é grande a ansiedade de Neivo Beraldin.
Greca
Rafael Greca tem oito dias para responder as indagações sobre a Cohapar por determinação do desembargador Celso Rotoli de Macedo. Fecha-se o cerco e de repente os mistérios da disputa entre ele e Romanelli desaparecem.
Folclore
O senador Alvaro Dias ataca em duas frentes: a postulação como candidato mais conveniente para José Serra no Paraná no PSDB e também na defesa da CPI da Petrobras, da qual é um dos principais propositores. E na linha de argumentos para a devassa na estatal alega que quem a blindou foi FHC, contra o qual ele assinou um pedido também de CPI e por isso acabou afastado do tucanato. Essa cutucada é didática e de repique.





