LUIZ GERALDO MAZZA
Itinerário rompido
O desenvolvimento no Paraná se dá por ciclos ou por miniciclos, como diz o mestre Francisco Borja Magalhães. Tivemos ciclos sequenciais virtuosos como os havidos de Munhoz da Rocha-Ney Braga, especialmente deste, para frente. Tanto que as gestões posteriores à de Ney, a começar com a de Paulo Pimentel, deram andamento a um modelo e a uma filosofia. Daí se concluir que a despeito de eventuais diferenças de personalidade, e até de grupos, uma doutrina se impôs, o que dava a idéia de continuidade naquilo que realmente interessava: o esforço de integração física do Paraná, o empenho na diversificação produtiva já ingressando na industrialização e a chegada das relações capitalistas no campo apoiadas num modelo cooperativista e sobretudo na modernização. O primeiro e perturbador obstáculo foi o do esgotamento da cafeicultura. Ironicamente quando emplacamos a presidência do IBC o fizemos, ironicamente, na campanha da erradicação de cafezais antieconômicos. Achar uma cultura substitutiva que tivesse poder multiplicador semelhante a do café era a questão. Lembro de um estudo do Badep que criava uma dezena de usinas de açúcar.
Seriedade indispensável
O Paraná, por sua expressão e nível de organização, estava habilitado a pedir espaços como o que permitiu a instalação aqui da Refinaria de Araucária, que era disputada por Santa Catarina, bem como o colar de usinas hidrelétricas, deflagrado nos anos 60 e a integração rodoviária que teria também a parte do modal ferroviário com a Central do Paraná entre Ponta Grossa e Apucarana. A propósito houve um episódio entre o coronel Alípio Ayres de Carvalho, genuíno implantador do planejamento na terra, e o presidente Jânio Quadros que dá bem a idéia da distância entre político e técnico. Jânio estranhou que o Paraná pleiteasse recursos para a ferrovia, alegando que era paralela à rodovia do café. Ora esses modais não são concorrentes, mas convergentes. Preconceito contra a ferrovia era uma ideologia do período JK, uma de suas barbáries.
O pique desenvolvimentista do Estado Indutor da época montou quadros que hoje não temos já que, consideradas as exceções, prevalece o baixo clero. O respeito dos organismos internacionais pelo que se fazia aqui (no caso da Capital o devemos ao período que vai de Ivo Arzua até Lerner passando por feitos relevantes com Omar Sabbag e Saul Raiz) facilitava financiamentos.
Mística perdida
Embora os feitos de José Richa, o de governar democraticamente e portanto ouvindo a população, há uma quebra de continuidade na ação articulada e que se aprofunda com as gestões do PMDB, que detonaram o sistema de planejamento e a rotina gerencial. Com Lerner há um sinal de recuperação na primeira gestão quando teve no setor de planejamento Miguel Salomão e Cassio Taniguchi e que cai sensivelmente no segundo mandato, ainda que tendo o mérito de romper a complementaridade econômica diante de São Paulo com a chegada das montadoras e de outros investimentos industriais. A sensação é de perda de três décadas.





