LUIZ GERALDO MAZZA
O terceiro mandato
Aos poucos, com a agilidade de um ninja, por sua discrição, voltam a falar no terceiro mandato de Lula, o que até há pouco tempo seria inimaginável, mas agora com a persistência de repente a coisa emplaca. Bastaria uma pesquisa nacional sobre o tema, bem no nível das que têm sido realizadas, e seria o suficiente para ''legitimar'' o absurdo, algo como o Ato Institucional 5, um golpe dentro do golpe, com aparência de saída civilizada.
É evidente que isso iria encontrar a resistência da mídia, hoje mobilizada na denúncia dos chunchos parlamentares e que valorizada por essa atuação poderia frustrar o golpe como conseguiu o feito de liquidar a CPMF. Isso que parecia aos mais céticos impossível teve uma densidade semelhante à revelada na queda
de Collor para a qual foi indispensável a mobilização da sociedade.
Reforma de araque
Dois pontos da pretendida reforma política - o financiamento público da campanha eleitoral e as listas fechadas - são os colocados mais em destaque e ambos são inaceitáveis. O financiamento não impediria o paralelo dos lobbies costumeiros e a lista praticamente tiraria o eleitor do processo consagrando os devotos sem votos, os burocratas dessas ditaduras que são os partidos, ainda que tivesse a aparente boa intenção de dar vitalidade aos partidos.
Num encontro em Porto Alegre o ministro Tarso Genro, da Justiça, argumentou que o financiamento privado aumenta o custo das obras públicas. Ora numa ordem em que foi possível o mensalão, o que revela permeabilidade extrema à fraude, não pega bem esse tipo de argumento. Até porque nos contratos entre governo e empreiteiras ou prestadoras de serviços há dois agentes em ação e se algum deles leva vantagem é porque houve concordância.
Dolo eventual
Os crimes de trânsito tiveram a melhor das doutrinas na ação firme do juiz e depois desembargador falecido Otavio Jorge Cesar Valeixo: aceitava a tese do delito preterintencional. Assim mesmo num racha, o motorista, ainda que não tivesse a intenção de atingir a vítima, a maneira como agia o colocava sob risco da prática do delito. Nesse caso como no do motorista alcoolizado havia o entendimento de que agira livremente e portanto com dolo eventual.
Turismo
Espera-se que o fato de o prefeito de Paranaguá ser adversário do governador Requião não impeça entendimentos no sentido da construção de um terminal turístico no porto D. Pedro II. Além do mais complementaria o esforço de diversificação de atividades naquele terminal e evitaria o constrangimento havido no governo Lerner quando um grupo de turistas franceses desceu em Paranaguá e teve que praticamente deslizar num cais tomado por resíduos de soja e de odor igualmente desagradável. Para quem assistiu a cena foi impressionante o equilíbrio dos franceses para evitar derrapadas.





