LUIZ GERALDO MAZZA
Um teste institucional
A tragédia desta semana, que vitimou um deputado estadual, é um teste claro do funcionamento das nossas instituições. Os dois jovens mortos foram submetidos a exame toxicológico, o parlamentar não. Testemunhas falam que viram o registro dos 190 km no velocímetro e de repente a versão pericial foi diversa, zerada. Se o automóvel estava efetivamente naquela velocidade o motorista, na hipótese de um sinistro, se enquadraria no delito preterintencional, aquele que coloca o dolo no antecedente (o fato de assumir o risco do dano) e a culpa no consequente, isso é no resultado.
Por ordem superior informações oficiais saíram da delegacia especializada para a Secretaria de Segurança. No mínimo causa estranheza.
Formigueiro
A tal desapropriação de áreas no Cabral-Ahu vai esbarrar em problemas sérios porque o patrimônio era originalmente do Iapc, Instituto de Aposentadoria dos Comerciários, e que passou ao domínio do Iapas e depois ao Inss. Ocorre que ruas foram abertas, houve invasões (inclusive de bacanas) e a autoridade federal sempre resistiu à necessidade de uma demarcatória.
Habitação
Apesar de Requião ter afirmado, diante da ministra Dilma, que o metro quadrado para habitação popular do plano nacional seria o praticado na zona nobre do Batel, a Cohapar está longe de ser exemplo de eficiência e qualidade. E no momento um quase pastelão é desencadeado entre Rafael Greca e Romanelli em troca de acusações sobre a origem da crise financeira da instituição. Há denúncia agora de que malandros estariam vendendo reservas de casas.
Macunaíma
No nordeste o assalto às casas inundadas e aqui no acidente que matou dois jovens e feriu o deputado Ribas Carli os saqueadores agiram para roubar objetos dos carros sinistrados. Dá para lembrar também de voluntários e militares metendo a mão nas doações em Santa Catarina em função das enchentes e deslizamentos.
Corta-caminho
Alvaro Dias está de tal forma obstinado em ser o candidato do PSDB ao governo que suas aproximações com Requião são notórias inclusive em contatos seguidos com os irmãos mais moços, Maurício e Eduardo em Brasília. Há um setor do tucanato que acha essa escala com o PMDB de Requião uma boa alternativa, mas é visível que ela é do interesse dominante de Alvaro que com isso conforme o acordo fraternal tira Osmar da parada. Como Beto Richa não dorme de toca fecha as semanas com visitas ao interior. O manobrismo está em alta.
Folclore
Acidentes de trânsito acabam politizados. Talvez essa tenha sido a razão da Secretaria de Segurança ficar com o monopólio das informações. O ocorrido com um sobrinho de Requião, quando senador, se tornou paradigmático: nunca ficou provado que tenha usado o carteiraço como seus adversários sugeriram.





