LUIZ GERALDO MAZZA
Uma emulação necessária
A convocação do senador Osmar Dias para discutir a problemática paranaense e a forma de solucioná-la não deixa de ser uma inovação porque políticos sabem que eleições se decidem em atmosfera emocional. Muito pouco tivemos no embate do derradeiro pleito estadual oportunidade para ver o que os dois principais candidatos tinham como visão de futuro e planejamento.
Se há um setor em que o Estado se tornou leigo não apenas regionalmente como também em termos nacionais é justamente o do planejamento. Essa anedota, que é o PAC, bem pior dos que os cinco dedos de FHC, também uma empulhação, é um referencial claro dessa situação. Desde o segundo governo de Lerner não temos um simulacro sequer de aposta no prever para prover, embora a pasta existisse e fosse ocupada por um mestre como Miguel Salomão que entre outras façanhas montou, a serviço do FMI, o Banco Central de Angola.
Nossos referenciais para saber se crescemos estão muito mais na analogia com o desempenho de unidades federativas do Brasil meridional. De um modo geral perdemos tanto no social como no econômico.
A fuga dos presídios
Andamos batendo recordes, na questão social, na falta de segurança e na escalada de crimes. Fugas como essa, recente, do 11º Distrito da Capital, com 27 delinquentes voltando às ruas para fugir do horror, mostram que se de um lado a polícia prende de outro ela é incompetente para evitar fugas com o que se mostra inabilitada para a prevenção. E dá para explicá-lo: em São Paulo que ainda recentemente foi sitiada pela ''guerrilha'' do PCC as ações do governo foram na direção da construção de presídios de segurança máxima e que geraram o bom desempenho em recente levantamento de 13,2 homicídios por 100 mil habitantes. Nesse ranking o Paraná é o nono nacional com 27,1 homicídios por 100 mil. Não é má classificação em termos brasileiros, liderada por Alagoas com 76,2 e Espírito Santo, em seguida, com 56,6.
Comparados os desempenhos com São Paulo, sociedade muito mais complexa, e com Rio Grande do Sul (15,9) e Santa Catarina (13), este um dos índices mais baixos do país, vemos que sofremos a derrota nesse item igualmente.
Festa precipitada
Anos passados divulgou-se por aqui que o Paraná teria superado o Rio Grande do Sul em participação na renda nacional. Os próprios gaúchos - e se valeram de uma publicação regional lá instalada, revista ''Amanhã''- para sugerir essa podada nossa na pista nacional. Havia grande expectativa com a saída de montadora da região metropolitana de Porto Alegre e esperava-se que o setor automotivo desse efeitos multiplicadores em nosso favor. Essa expectativa, possível como hipótese de trabalho, acabou não ocorrendo e continuamos abaixo dos gaúchos na listagem da renda interna nacional. O mais grave, porém, é a derrota no plano social, evidenciado no Índice de Desenvolvimento Humano em função da escolaridade, expectativa de vida e mortalidade infantil. Aí perdemos também para Santa Catarina e não apenas na segurança, mas em saúde e educação.





