Uma assincronia chocante



É assustadora a distância entre os feitos civilizatórios do Paraná como economia e sociedade e a sua expressão política no quadro medíocre que nos representa. Essa ausência de ''pegada'' que não se confunde com a logomaquia do nosso governador em causas risíveis como a dos transgênicos revela que não basta infundir nos altos escalões o receio de não mexer em temas locais como o do porto (a não dragagem da Galheta é um crime e nada mais) para não gerar a fúria do interlocutor, mas ter um programa, uma ideia como se dava com Munhoz da Rocha e Ney Braga e também, no regime militar, com Parigot e Canet Júnior.

Se em 156 anos chegamos ao ranking da renda interna com transformações e ajustes adequados à passagem dos ciclos econômicos (mestre Borja Magalhães os trata como miniciclos num ensaio) como o do salto havido na condição de produtor de matéria prima para uma ordem diversificada e industrializada o que há a lamentar é a falta de uma liderança que expresse tal condição. E não se alegue que estaríamos a ''idealizar'' o passado recente quando nos referimos ao pique do Paraná no esforço para sua integração territorial e em busca ainda da ''cultural'' que haverá de expressar-se na ''diversidade'' como pregava o governador pensante Munhoz da Rocha.

Tentativas frágeis

É verdade que o país também não tem uma estratégia bem definida, um programa nacional, como se nota em ações e propósitos fragmentários como os expressos no tal PAC, Plano de Ação para o Crescimento. Mesmo depois daquelas gestões referenciais tivemos algo articulado com José Richa que fez da democracia como prática um campo de ''participação'', ainda que sabendo contê-lo quando houve transbordamentos para o democratismo e o assembleísmo e havia doutrina bem exposta no empenho pela ''tecnologia apropriada'' e na questão das escalas no culto ao ''pequeno é belo'' de certa forma ainda presente em Requião na defesa da microempresa especialmente no trato tributário. Nessa fase tivemos três momentos em que paranaenses se habilitaram à presidência, primeiro com Alvaro Dias que ficou em último na convenção do PMDB, que consagrou Ulysses, depois com Requião derrotado por Quércia e a do Affonso Camargo, este postulante presidencial, fazendo um campanha que não honra a sua condição de articulador que sai das bordas provincianas, o que demonstrou na campanha de Tancredo.

Uma ideia-força

Com Bento, Ney Braga e Parigot tínhamos uma doutrina para sustentar as ações
administrativas e políticas. Havia tesão e não tensão como agora: os agentes se mostravam engajados e alinhados numa causa e não em ''furadas'' como a de transformar em fundamentalismo a briga com os transgênicos ou dissimular movimento na ociosidade nervosa da falsa guerra contra o pedágio, embora fosse perfeitamente num caso como no outro agir de forma razoável.
Não temos, como antes, uma ideia-força. Prevalece a ideia-farsa.

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