Quem cala consente?
Quando o ator em cena é Roberto Requião nem sempre é possível aplicar aquele conceito de ''quem cala consente''. Inviável, por exemplo, na escolinha, e anteontem nas celebrações do Parque Ney Braga em Londrina. Emite juízos sobre temas, que não domina, como o da questão florestal, para fazer provocação em cima do ministro da Agricultura num racha com o midiático do Meio Ambiente.
O silêncio pode ser a resposta mais adequada aos jejunos.

Exemplar
O Ministério Público, ao investigar 20 casos possíveis de nepotismo na lista de servidores legislativos, age exemplarmente até porque irmão, cunhada e sobrinhos do procurador-geral estão listados. Impessoalidade, o princípio.

Metáfora
''É o fim'', diz a lagarta ao se transformar em borboleta, bordão otimista e que também justificaria a ideia cristã da ressurreição. Em sentido adverso há o caso de Gregório Samsa, de Kafka, que se vê, aos poucos, feito barata.

Metamorfose
Também a metamorfose ora premia, ora pune os Requiões: a ministra Ellen Gracie, do STF, em decisão monocrática, garantiu Eduardo no seu posto consular em Brasília. De repente, o Maurício também retorna ao TC, como admitiu Marco Aurélio Mello, do STF. Aí, os que festejaram sofrem.

Interlocutor
Embora os elogios a Lula no G-20 possam ser exagerados e até irônicos, o fato se deve ao Brasil (por sua expressão como sociedade moderna e complexa com PIB superior ao da Índia e Rússia) e à sua expressão econômico-cultural e posição logística e menos à figura, inegavelmente empática, do presidente. Que é um razoável intérprete de nossas potencialidades, nem sempre contido e prudente.

Folclore
Jornalistas, ao dividirem o número de funcionários da Assembleia pelo de deputados e chegam ao 45 per capita, fazem efetivamente um cálculo de escassa racionalidade, mas adotam um silogismo político, menos grave do que o dos deputados votando na madrugada a sua aposentadoria que nem constava da pauta.

Suspeição
Quando um desembargador ou ministro de STJ e STF emite juízo de valor sobre matéria que ainda vai julgar (o que é muito comum no Brasil) incorre em falta grave que não se remedia nem com a declaração de suspeição. Decorre, porém, da falta de referenciais que toma conta do país, daquilo que chamo de anomia. Ralph Dahrendorf, liberal alemão, em ''A lei e a ordem'', recorre ao filósofo Emille Durkein que compara o fenômeno, no campo civilizatório, ao suicídio.

Poluição
A Infraero decidiu proibir os avisos locutoriais no aeroporto que estariam, dado o grande movimento, provocando poluição sonora. Saudade do tempo em que a linda Íris Letieri, âncora de TV, de voz sedutora, dava avisos em São Paulo.

mockup