LUIZ GERALDO MAZZA
Falta de clareza
Na eleição de Londrina de amanhã, importantíssima como teste de forças para a sucessão de 2010, o que mais perturba é a ausência de uma definição de estilos entre as forças polarizadoras. Não há uma clareza quanto ao modo populista de gerir, tão presente na história da cidade, apenas negado em casos como os de Milton Menezes, Hosken de Novaes e Wilson Moreira e mais brandamente nos de José Richa e dos petistas Luiz Eduardo Cheida (hoje no PMDB) e Nedson Michelleti.
Há um mimetismo entre as visões ''populista'' e ''austera'' que inviabiliza um juízo de valor radical como um rigoroso divisor de águas. É que conforme o cenário uma dessas perspectivas se sobrepõe e os disputantes dissimulam para evitar perder votos em determinados nichos. Tudo o que aconteceu era esperado como o apoio de Belinati a Barbosa Neto e também nas adesões a Hauly, mas fica a impressão de que essa eleição fica devendo algo essencial à cidade, apesar do seu novelesco enredo com protelações da Justiça Eleitoral.
Um mosaico
Com a aproximação da festa de Curitiba, volta a torrente de arquétipos para definir a cidade e seus habitantes. O Dante Mendonça escreveu um mosaico em torno dessas variáveis.
Continuo com a definição que dei, anos passados, num institucional: Curitiba é a Esfinge que decifra quem tenta devorá-la. Entendeu? Nem eu. Na verdade esse predatismo é a nossa marca, mais alegórica do que verdadeira. Isso acaba virando um ensaio tão complicado quanto o da identidade paranaense, outra pista de chutes e elocubrações que jamais terá solução até porque inexiste.
Terminal
Bem adiantado o projeto de terminal turístico de passageiros no Porto justo ao lado do que tem, ao menos até aqui, de mais moderno: o terminal de contêineres, fator mais forte em valor agregado e que Requião combateu com a mesma pegada com que tentou fulminar os transgênicos. Perdeu as duas.
Memória
Fui a um programa sobre o golpe de 64 juntamente com o general Ítalo Conti na TV Sinal. O ex-secretário de Segurança contou que mexeu em fichas da Dops ao ver o Cândido Martins de Oliveira citado como esquerdista, o que lhe parecia um absurdo. O Candinho estava num comício na Praça Tiradentes como orador estudantil juntamente comigo e o ex-deputado Léo de Almeida Neves contra a invasão da Baía dos Porcos em Cuba por mercenários. Embora tido como da direita foi o mais radical de todos nós, supostamente à sua esquerda.
Abstração radical
Enxergar erotismo numa luta de sumô é de lascar. Há quem o encontre numa enceradeira, imaginando o reflexo das coxas da dona de casa no assoalho.
Folclore
A mídia dá mais força ao propalado assédio do vereador Professor Galdino do que aos negócios de familiares do presidente da Câmara de Curitiba. Critério de prioridade tipicamente da sociedade cartorial.





