Ciclo conspiratório

O governador Requião, sempre duro em julgar os outros, entrou num ciclo de baixo astral: o STF, em decisão liminar, por unanimidade, mandou excluir o seu irmão, Maurício, do Tribunal de Contas por afronta à Súmula Vinculante 13; o Ministério Público Federal (só poderia ser esse) enquadra o outro irmão Eduardo nos delitos de improbidade e prevaricação na gestão portuária e também a esposa Maristela por acumular indevidamente o exercício da gestão do Museu Oscar Niemeyer e de uma Oscip que lhe dá suporte.

Curioso é que ao assumir o governo Requião fez carga enorme contra uma Oscip vinculada ao MON e tocada por Alex Beltrão, a quem o Paraná deve, além dos serviços prestado à Organização Internacional do Café, toda a coordenação da estratégia que assinalaria a modernização da economia regional com Ney Braga, incluindo aí a criação da Codepar, Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, que viria a ser substituída pelo Badep, extinto por Alvaro Dias.

O insumo forte

Da mesma forma que agrediu o Ministério Público e a Justiça Federal, Requião fará dessa fase adversa matéria prima para seus discursos e sustentação da imagem de justiceiro, aquele que é atacado pelos poderes por sua dedicação às causas nobres, dentre elas a instrumentalização das diretrizes da Carta de Puebla em favor dos excluídos. É um dos poucos governadores brasileiros que sabe falar com algum talento e valer-se-á provavelmente da TV Educativa como metralha giratória contra adversários reais e imaginários.
Afinal é o que ele tem: à falta de obras concretas os sermões e neles a defesa da família, o que faz sem nenhum acanhamento.

Baixaria

Sinais de baixaria começaram a pintar na campanha de Londrina, com os primeiros casos de apreensão de volantes. A cidade pode estar perdendo uma oportunidade de mostrar-se modelar como quando se mobilizou para derrubar prefeito e vereadores. O MP estadual lá funciona porque age claramente como caixa de ressonância da sociedade. Na Capital ela não se manifesta?

Dilma & guerrilha

Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, reduz a pó de traque o suposto papel de guerrilheira da ministra Dilma Roussef na ''Playboy'' e testemunha que nada teve a ver no afano do cofre de Adhemar de Barros. Como dizem que nem na cadeia a esquerda se entende só falta a Dilma alegar que no meio ambiente da resistência o Minc era o mesmo de hoje que gosta de aparecer.

Leque

Uma coisa boa com o calor: o retorno dos leques, inclusive daqueles do passado, de linho que lembra nhanduti, artísticos e elegantes. Pedro Calmon, se estivesse entre nós, voltaria a falar das mãos misteriosas e poéticas que os faziam abanar. Energia lírica também ajuda a refrescar.

Folclore

O baixo astral de Requião é apenas um ciclo, ainda não uma era.

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