Cabo-de-guerra


Fincadas as bases, infelizmente sem acordo, da campanha eleitoral em Londrina sabe-se que ela terá uma inevitável dimensão estadualizada, prestando-se como um teste relevantíssimo, já que se trata do segundo colégio eleitoral, para a sucessão estadual. É claro que esse fato não retirará e ao contrário ampliará a dimensão local dessa disputa.

Nos dois turnos já disputados e que acabaram não valendo com a impugnação a posteriori de Antonio Belinati a temática deveria ter sido esgotada sobre as principais questões do município e também, uma de traço mais abrangente, a referente à perda de substância fiscal de Londrina no contexto paranaense em função de uma industrialização que privilegiou o eixo Curitiba-Ponta Grossa.

Teremos uma simulação entre vetores partidários interessados no Palácio das Araucárias: assim o senador Osmar Dias deve medir forças com o seu irmão, o também senador Alvaro Dias e com o prefeito de Curitiba, Beto Richa, do PSDB. É possível que figuras nacionais como José Serra apareçam no caso em favor de Luiz Carlos Hauly, o que acentuará o prestígio de Osmar Dias que independe ou até não tem nomes nacionais do PDT mais representativos do que ele próprio, a não ser que um Cristovão Buarque seja escalado.

Criatividade na crise

Londrina é um bastião importantíssimo e isso ficou demonstrado quando a força tarefa de Lerner ''ocupou'' a cidade para garantir a vitória de Belinati no segundo turno. Se a eleição de Cheida pelo PT teve o condão de atrair todos os líderes convocáveis da agremiação quando não tinha tantos ônus em função da trajetória que tiraria dele o monopólio da ética essa de Belinati foi prova extremamente vigorosa de quanto vale o peso do poder político e financeiro.

Como há uma crise e menos oferta de recursos é indispensável criatividade, mas em parâmetros que não extrapolem o essencial: a identificação e análise dos programas em choque mais do que o diferencial dos personalismos.

Se a tese da simplificação da campanha fosse acolhida haveria viabilidade de um confronto mais enxuto e que menos saturasse o eleitor já angustiado com as marchas e contramarchas das decisões judiciais até porque tudo pode ainda ser ''melado'' no exame da constitucionalidade do veto a Belinati no STF.

Repertório atrativo

Dependendo das ''personas'' (aí no sentido da máscara do ator em cena) que Barbosa Neto e Luiz Carlos Hauly assumirem poderemos ter uma visão bem mais distinta de estilos. O maniqueísmo da moda sugere que Barbosa é bem mais populista, bem próximo ao alinhamento de Belinati, e Hauly se definiria como autêntico cardeal que é do PSDB, supostamente cultor da austeridade. Londrina é dividida em relação a essas duas tonalidades afetivas: do equilíbrio de um Milton Menezes ao ativismo de um Wilson Moreira, tocador de obras tanto de José Richa como na gestão dele próprio; da austeridade de estadista de um Hosken de Novaes à euforia popular de um Belinati ou de um cuca fresca e hábil político como Dalton Paranaguá. O melhor ator mais que o programa ganha.

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