LUIZ GERALDO MAZZA
Risco inevitável
É inerente à atividade política o risco das especulações, a exploração de fatos mal explicados. Assim da mesma forma que acusaram o deputado federal Barbosa Neto em desvios de conduta em relação a assessores, e que lhe renderam procedimentos investigatórios, nota recente da ''Folha de S.Paulo'' atribuiu ao seu adversário de ''terceiro turno'' a frase em que sugeriria que a Câmara Federal pagasse os tributos ao Imposto de Renda pela verba indenizatória.
Embora a negativa de Hauly, a especulação dá margem à exploração e lembra episódios como o havido em São Paulo na reconstitucionalização do país quando Hugo Borghi do movimento ''queremista'' pró-Getúlio Vargas e que apoiava Dutra para presidente atribuiu ao Brigadeiro Eduardo Gomes a frase de que não queria o voto dos ''marmiteiros''. Imediatamente uma facção ligada ao PTB chegou a lançar um distintitivo com forma de marmita. É a velha técnica de fazer da suposta luta de classes, o pobre contra o rico, o empregado versus patrão, o veio-chave da campanha eleitoral.
Analogias regionais
Aqui no Paraná tivemos na eleição de 1965 uma dessas tentativas de alegoria de luta de classes: o deputado Valmor Giavarina, da oposição, valeu-se de uma frase também atribuída a Paulo Pimentel, de que não dava bola para o voto do ''Zé Ninguém''. Massificada a idéia como divisor de águas, houve a neutralização por parte de Aníbal Khury, padrinho do candidato oficial, ao ligar a imagem de Paulo ao homem do ''chapéu de palha'', enquanto o outro lado fazia desfiles do ''Zé Ninguém'' proletário. Nos dois casos um esforço de alegorização agora do homem da capital contra o do interior, esse identificado com a lavoura.
Tivemos outras como a da carta em que Lupion dava dinheiro aos comunistas, apodados carinhosamente de ''vermelhinhos'', e mais recentemente a do saque de Requião, tentando valer-se de uma metáfora de Churchill sobre negociar com o satanas que deu margem até à audiência de peritos para negar que a fala tenha sido do declarante. E também a farta exploração em torno das terras de Osmar Dias na Amazônia e as desventuras do vice de sua chapa.
O que pega ''gruda''
Umas ''pegam'', outras não. A de Hugo Borghi pode não ter sido tão decisiva, mas em São Paulo funcionou naquela eleição em que Dutra bateu o Brigadeiro, figura mítica dos ''Dezoito do Forte de Copacabana''. Era incabível que um homem elegante tivesse jogado expediente tão primário quanto o da marmita, mas pegou. Hoje até é mais fácil grudar uma frase negativa a um político mesmo quando a sua imagem é vinculada à austeridade como no caso de Hauly. Ele fez bem em negar a especulação nos vários meios de comunicação. Todavia campanha eleitoral é feita em cima de deslizes reais ou imaginários e é indispensável que saiba mostrar o ''diferencial'' entre ele e o opositor em toda a temática eleitoral porque a batalha será dura e Londrina, em que pese seus avanços em modernidade, não oculta a sua afinidade ao emocionalismo populista e que ajudou a garantir, com Emília Belinati, mais pelo marido do que por ela, duas vitórias seguidas de Lerner no primeiro turno contra Alvaro Dias e Requião.





