Transparência

A sambista estava com roupa transparente. Se fosse a transparência prometida por Nelson Justus figuraria de luto, apropriado à Quaresma.

Angústia

Teve gente deprimida ontem por não ter havido ''escolinha''. Quem viu o chefe no camarote do sambódromo ganhou indulgências plenárias com profunda sensação do dever cumprido.

Céu & inferno

Descrição de um repórter de rádio sobre o ônibus jardineira, aberto na parte de cima, de turismo oficial na Capital: ''lá em cima é o céu, embaixo o inferno'', por falta de ar-condicionado e o calor de porão.

Fuga

Fuga em massa de presas deve acelerar ações do governo com relação às celas modulares. A OAB, que apoiou a ideia, vai fazer a cobrança. Alguém já disse que se Dostoievski visse as nossas prisões superaria suas obras. O exagero tem a virtude da pressão pedagógica.

Folclore

Se o mundo comemora o primeiro presidente negro dos Esteites, aqui também causou surpresa em 1947 a presença do deputado estadual Justiniano Clímaco da Silva, eleito por Londrina, médico e baiano, homem de brilho invulgar ao ponto de fazer um discurso em latim, e na ordem indireta, sobre a presença de Deus no preâmbulo da Carta. Quando chegou em Curitiba e hospedou-se no Hotel Yonscher foi confundido como se fosse o motorista de outra pessoa, um empregado, enfim. A despeito da confusão, o dono do hotel, Francisco, se tornou grande amigo do parlamentar. O ex-deputado Hélio Duque tem um arquivo curiosíssimo das passagens do médico-parlamentar.

Insistência

A cada oportunidade de qualquer evento no Litoral, Requião insiste na tese de que o Porto do Mercosul, aquele situado em Pontal do Paraná e na chamada Ponta do Poço, onde a Petrobrás, através de empreiteiras, construía plataformas, é do Estado quando pertence a particulares. Essa história é mal contada tanto pelo governo como pelos proprietários da área (no governo Lupion foi doada ao município de Paranaguá para a construção de uma cidade balneária), pois serão indispensáveis obras de arte se sobrepondo em viadutos a região de rios e manguezais numa estrada moderna. Só em infra-estrutura será algo incompatível às possibilidades tanto do governo como do grupo privado. A não ser que entre na parada aquilo que Requião detesta: a presença multinacional.

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