30% pró Momo
Como estamos habituados a aceitar os vereditos dos institutos de pesquisas, mesmo quando dão mais de 80% para Lula e Beto Richa (Requião passa dos 50%), descobrimos que 30% dos curitibanos aceitam e curtem o Carnaval. Não é pouco se considerarmos que há religiões fortíssimas e que não conseguem chegar a tal patamar e continuam pintando e bordando.

Todos destacaram o fato principal, o de que a sondagem tinha apurado que quase 70% dos curitibanos rejeita a estrepolia carnavalesca. Esse dado, aliás, embora combatido pela minoria tirânica dos carnavalescos, dá margem a todo o folclore negativo sobre a festa, volta e meia reativado pelo Macaco Simão

O carnaval da Capital se presta mais a ensaios acadêmicos do que ao evento em si, o que também não é desprezível até porque o festival de arquétipos sobre o curitibano (proclamada timidez, o poder inibidor dos críticos que matariam o folião no nascedouro) é tão variado quanto a diversidade amazônica.

A perda dos salões
A pior coisa ocorrida com o Carnaval foi a quase extinção dos bailes e assim o salão, que era o forte da festa, atrofiou-se. Dos clubes tradicionais só o Santa Mônica (que curiosamente é também um CTG - Centro de Tradições Gaúchas -, o que revela permeabilidade e abertura) ainda o sustenta. O alto custo das bandas e orquestras e mais a cobrança de direitos autorais, isso sem falar no baixo retorno (a maior parte vai ao campo ou à praia) pela dificuldade em vender mesas determinaram o fim. Mesmo as sociedades populares saíram do calendário, o Gala Gay no Ópera Rio (código para indicar a Sociedade dos Operários no Alto São Francisco) também caiu de moda. Dos salões a última atração era a série de bailes do Coritiba, há décadas fora de sintonia.

O massivo sem graça
Iniciativas na praia, tanto a da Guaratubanda quanto a da Caiobanda, são grosseiras e não guardam o mínimo de sintonia com o lado mais estético da festa que é possível captar ainda em manifestações de bairros por sua alegre espontaneidade ou em cidades como Antonina, especialmente, e Paranaguá, onde há algo mais próximo dessa expressão cultural. Nas expansões da praia há mais álcool e outros tipos de estimulantes do que alegria: a multidão compacta a perseguir o carro principal não tem, nem de longe, a graça e a arte de eventos semelhantes na Bahia atrás do trio elétrico.

De vez em quando há iniciativas para recuperar hábitos antigos como o mela-mela do nordeste, especialmente no Maranhão, que lembra em parte o entrudo, trazido até nós pelos portugueses e que tinha um tom grosseiro (limões de cheiro, água suja, farinha) lançados nos foliões e que contrastava com o aspecto mais refinado dos ranchos que se transformariam com o tempo em escolas de samba. Com a mudança de costumes, o lança-perfume, que era indispensável a inebriar ruas e salões, como componente do decor, teve que ser cassado: primeiro era para perfumar, depois para atingir os olhos e finalmente para a mistura na bebida e o cheirar no lenço que derrubava muita gente.

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