Complicadores eleitorais
  Ficou nítido na última eleição governamental que o atual presidente do TC, Hermas Brandão, decidiu, dentro do PSDB, o pleito em favor de Requião e hoje, ainda que formalmente fora da ação política, mostra de um lado a ausência de força da parte de Beto Richa naquele confronto e que não é o fator numérico, a possível densidade eleitoral, o decisivo. Ainda agora, como naquele momento, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, é o maior eleitor do partido no Paraná e essa a razão pela qual querem alçá-lo à presidência regional do tucanato talvez com o intento de isolar a compulsão do senador Alvaro Dias e criar pré-condições para a sua postulação em 2010 ao Palácio das Araucárias.
  Nessa condição de maior eleitor é que foi recepcionar o governador de São Paulo, José Serra, possível candidato da oposição à presidência, em sua estada no oeste paranaense. Como Beto Richa lá estiveram na passarela do Show Rural de Cascavel o governador Requião, o ministro Paulo Bernardo e também o senador Alvaro Dias e o mano Osmar, o candidato com a faca e o queijo na mão com todas as condições de ditar as cartas do jogo sucessório.

Bancada com Beto
  Na semana a bancada estadual do PSDB, que vota em grande parte das questões e de forma aberta com o situacionismo, fez visita formal ao prefeito Beto Richa para solicitar-lhe que dispute o governo. Se tem ou não ainda a influência de Hermas Brandão que ganhou a convenção do partido para ser o vice de Requião (e que foi corrigida por uma intervenção do Diretório Nacional que impôs a aliança com Osmar Dias) não se sabe, percebendo-se no entanto que visa, antes de qualquer hipótese, remover a aliança gigante, coração de mãe, que venceu o pleito municipal em Curitiba.
  Se há sinceridade ou malícia nessa manifestação é impossível apurar até porque em política da mesma forma que as versões se mostram mais equilibradas que o factual a aparência, ainda que assim considerada, se projeta no confuso jogo de espelhos.

O acordo branco
  Como o próprio Requião, ao contestar Lula, indicou que seus candidatos no Paraná seriam Beto Richa, Alvaro Dias e Orlando Pessuti há todas as condições para que novos ‘‘acordos brancos’’ entrem em cena já que temos duas vagas em disputa ao Senado e uma delas seguramente deve ser do governador por sua força eleitoral, ainda que minada por sua atuação predatória e desagregadora. Requião isolou Alvaro no pleito que este disputou com Lerner ao perceber que caía seu Ibope à medida em que se aproximava do seu partidário e beneficiou-se disso na eleição senatorial. Já Alvaro repicou na reeleição de Lerner deixando Requião e apoiando o vitorioso. Dois casos de acordo branco que poderiam agora repetir-se. Mas Osmar Dias tem mais opções além da moratória da aliança que tenta sustentar com Beto Richa com o namoro aberto do presidente Lula. Quem fizer previsões de que está tudo bem encaminhado carece de boa informação.

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