Corregedor corrigido?
O ceticismo do brasileiro é cada vez maior na exata proporção em que obtém mais informações como essa do castelo de R$ 20 milhões do Corregedor da Câmara Federal e que defende abertamente a tese de que deputados só poderiam ser julgados pelo Judiciário. Enquanto se vê nos Estados Unidos cada hora pintar um novo infrator das leis fiscais do país, seguindo-se o indispensável afastamento, aqui tal feito dificilmente ocorreria.
A certeza da impunidade no Brasil leva o povo, na razão direta de informes como os da vergonheira do ''mensalão'', ao ceticismo extremo até porque a banalização dessa frouxidão não abre outra perspectiva. E cada vez que os tribunais reafirmam axiomas como o da ''presunção de inocência'', novamente adotada ainda que suavizada por quatro votos contrários em caso criminal no STF, percebe-se que ela desconsidera o processo judicial interminável e que evitou a punição exemplar pelo TSE dos fichas-sujas como pretendiam quatro dos seus cinco integrantes.

Alguns avanços
Se dá para considerar como um avanço os quatro votos tanto na questão dos fichas-sujas como agora no julgamento de um caso criminal e que essa densa malha de votos vencidos remove o risco de decisões hegemônicas e sustenta a virtude da dúvida é de levar-se em conta que a atuação da Procuradoria Geral da República e do STF foi exemplar no processamento dos mensaleiros. Avanços inegáveis e impensáveis alguns anos passados até porque nunca houve tanta corrupção com impressões digitais como agora.
Estamos longe, porém, de uma queima de etapas em nossa cultura jurídico-política para termos mais ousadia no combate à corrupção do que aquela que é a marca dos seus autores. Se no plano nacional a mecânica institucional funciona (e aí entra o próprio Tribunal de Contas da União) tal não se dá, a não ser por exceção, nas unidades federativas.
A devolução, por exemplo, ao Legislativo estadual do projeto previdenciário em causa própria dos parlamentares, revela a moralidade ''seletiva'' do nosso governador que nos discursos e na indignação é um pregador engajado, mas na hora de uma decisão como essa evita o veto que poderia ser acompanhado de um contacto com a base aliada para expor-lhe seus fundamentos por saber que a submissão parlamentar, vide o tarifaço, é de todo conveniente e está aí a exigir um mínimo de reciprocidade.

Submissão sempre
Quando há enfrentamentos como o ocorrido na Câmara Municipal de Londrina e culminou em vitória apertada do grupo que ficou ao lado do Padre Roque, por mais tensão que provoque, há equilíbrio na correlação de forças. É verdade que na eleição recente dos presidentes das câmaras alta e baixa da República, mesmo com a arregimentação havida, o resultado foi desolador. Menos porém do que a eleição para a direção executiva do legislativo municipal da Capital com a reeleição tranquila de João Claudio Derosso. Da mesma forma a reeleição de Nelson Justus na Assembléia Legislativa é prova de um sistema de acomodação de forças viciado, condicionado, mumificado.

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