Fisiologismo escancarado

Não bastassem as revelações do ''mensalão'' que botaram a pique a bandeira ética do PT temos agora, com a eleição dos presidentes da Câmara e Senado, a consolidação do mais radical dos fisiologismos que tornarão inviável qualquer pretensão de dar um rumo decente ao andamento das reformas e até desse já esfrangalhado PAC. Essa deserção consciente do presidente da República, hoje entregue a um pragmatismo que desconsidera programa e doutrina, é o pior dos sinais até porque já não pode valer-se dos indicadores positivos da economia em função da crise que ainda não tomou corpo no Brasil. Entra em tobogã logo.

Segurança

Acumulam-se casos sem solução na polícia: um dos mais antigos o da estudante Amanda Rossi em Londrina, ocorrido há mais de um ano. O assassinato da menina Rachel, em Curitiba, até hoje sem resposta e mais essa barbárie no morro de Caiobá. Esses desafios reclamam resposta para restituir o perdido sentimento de segurança da população.

Mãos limpas

O estado de bolsos vazios aposta na eficácia do ''mãos limpas''. Requião ontem culpou juízes do interior pela superlotação das cadeias e a resposta da Associação dos Magistrados veio como desforço incontinente. Reagir é preciso.

Refém

A população é refém de greves como essa dos vigilantes e não há mecanismo rápido para fixar o número mínimo de trabalhadores por agência que os rituais dificultam. Essa forma de agir nada tem de democrática porque a população é mais importante do que os litigantes e fica submetida a uma tirania na qual se enlaçam interesses de bancários à espera, numa próxima oportunidade, de um ato de reciprocidade equivalente dos vigilantes. Justiça contemplativa e no aguardo das partes não é apenas cega, mas também catatônica.

Minimalismo

Nosso governador voltou a sugerir ontem que o Paraná não é neoliberal e que aqui o Estado funciona, velha retórica, volta e meia repetida, e que não consegue, como resultado final, um desempenho melhor do que gaúchos e catarinas aqui no Brasil meridional. O que temos é um Estado flácido com excesso de dispêndio e investimento ralo. Muitas secretarias quase decalcando o modelo nacional e sem retorno em eficiência. Adiposidade não significa saúde e isso lembra a ideia do passado de que gordura era vitalidade. Estamos muito longe do minimalismo: país que tem Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Infraero está longe do modelo neoliberal.

Folclore

Requião combateu ontem na Assembleia o Estado Mínimo. Aliás seria impossível nomear uma família grande numa estrutura de poder limitada.

Conspiratória

A versão de um diretor da Urbs de que a morte da passageira no ''ligeirinho'' de Araucária teria ocorrido pelo acionamento indevido de dispositivo de segurança não esclarece como se dá tal ''bandeira'' de risco ao usuário.

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