LUIZ GERALDO MAZZA
Oligarquia em tudo
Corremos o risco de uma eleição aqui no Paraná para o governo estadual entre dois irmãos, o cúmulo da escassez de quadros, o que afinal explica, de maneira clara, a nossa posição periférica em termos nacionais. É a cristalização de níveis de oligarquia que eram a marca do Nordeste e da qual tanto se falava de um patriarcado fora de tempo. É evidente que os Magalhães na Bahia, os Alves no Rio Grande do Norte, os Gomes no Ceará se revezam com outras famílias no exercício do poder.
Londrina já foi uma das bases de Alvaro e Osmar Dias e tanto que no segundo turno ambos estavam com Luis Carlos Hauly e agora no''terceiro'' ficarão em posição de conflito. É que Osmar, por fidelidade partidária, ficará com Barbosa Neto e haverá a emulação com Alvaro e Beto Richa, possíveis candidatos à sucessão estadual, que permanecerão com Hauly, hoje também bafejado por essa aliança que decidiu na Câmara Municipal o exercício provisório da prefeitura com o Padre Roque do PTB.
Simulações sucessivas
O leque partidário que decidiu a entronização do Padre Roque, apesar de estar supostamente com a máquina (que num ato de inteligência e sobriedade decidiu enxugar no número de secretarias), não leva grande vantagem sobre o outro pólo que encontra ainda no vitimalismo de Belinati o maior fator de alavancagem. Há até um esforço forte desse grupo para explorar ao máximo a tortuosidade da decisão judicial que impugnou, a posteriori, o vitorioso. Barbosa Neto se valerá disso como ''background'' já que tem adotado uma posição pública em defesa da posse de Belinati a quem apoiou abertamente, contrariando o líder regional do PDT, o senador Osmar Dias no segundo turno.
Não é fácil separar as aparências, o jogo de espelhos da política, de supostos alinhamentos doutrinários: uma discreta resistência ao populismo de Belinati e Barbosa Neto, nutrida por alguns atos de austeridade como os que poderiam assinalar um estilo do governo de transição de Londrina. O corte nas secretarias é um desses sinais, embora não suficiente para caracterizar uma concepção de vida, uma filosofia.
Definir diferenças
Simulações, portanto, de lado a lado, tentarão mostrar as diferenças, de uma forma, porém, que não expresse preconceito e não despreze a circunstância do já mais do que demonstrado poder de Belinati na região. Expresso, aliás, nas duas eleições de Lerner que teve em Emília Belinati como vice um suporte de primeira linha para integrar geopoliticamente a chapa. Quem está jogando com mais clareza é Barbosa Neto, fortalecido agora com a solidariedade de Osmar, que o imuniza, em certa medida, com a distorção populista.
Para fixar identidades, os problemas de Londrina, em sua perspectiva macro podem ser aprofundados. Ela perdeu posição relativa na fase mais moderna de nossa economia e isso é visível na partilha do bolo fiscal em que leva a pior em confronto com São José dos Pinhais e Araucária da Grande Curitiba. Uma exploração racional do assunto valeria bastante para arregimentar.





