Ligações perigosas

Quando se via como normal a presença de ''empresários'' de desmanches de veículos (carros, não jornais) em contubérnio aberto com figuras do Estado (juízes, deputados, policiais) dá para perceber a perigosa permeabilidade das instituições. Menos contundente do que o narcotráfico, mas que pode ter raízes comuns. Pior, porém, do que o caso dos bingos, aqui fortemente politizado.

Substância

É visível que temos mais hip-hop do que hippies, um divisor cultural sério.

Vulnerável

Uma das vulnerabilidades da segurança, fora o efetivo que é o de três décadas passadas, é o número de viaturas das polícias civil e militar fora de combate por falta de manutenção e problemas orçamentários.

Caráter

Raramente uma demissão de jornalista por motivos políticos cria uma corrente de solidariedade como a estabelecida em favor do homem de rádio e TV Gladmir Nascimento. Nem a crise abala o caráter, essa a boa lição do episódio; a ruim a dependência, ainda, dos meios de comunicação do sistema de poder.

Juros

Bancos sentiram o peso da pressão sindical (capital e trabalho) pela baixa dos juros e anunciaram ontem que reduzirão também. Isso é populismo até porque quando patrões e empregados se unem fazem o jogo do poder. Baixar juros não impedirá cortes nas empresas e estas, embora pressionadas por fatores psicossociais, vão ter que reduzir custos. Decisões do Copom devem ser técnicas e não políticas.

Punch

Requião tem mais ''punch'' que Beto Richa (aliás esse levou a pior de Hermas Brandão dentro do PSDB o que relativiza a condição de maior eleitor) e isso vai ficar demonstrado nessa história das tarifas de ônibus. O prefeito perde razão pelo fato de haver mantido, durante anos, as tarifas congeladas, aliás fazendo exatamente o que Requião adotou quando governava a cidade para dizer que Curitiba tinha o ônibus e a comida mais baratos bem como maior acesso à educação, saúde e habitação, mentirinhas que o ajudaram a eleger-se em 1990. E das quais o seu gêmeo comportamental, o Beto, ora se vale.

Folclore

Como a novela eleitoral de Londrina prossegue, embora a notícia de que o TRE pode marcar o terceiro turno na próxima semana, já se diz, sentenciosamente, que a questão só será resolvida quando houver juízo, afinal, e bem antes, se possível, do Juízo Final.

Sutileza

O apoio de Lula à continuidade de Chávez na Venezuela pelo referendo é uma oblíqua defesa de um terceiro e quem sabe quarto mandato no Brasil. Mais uma vez quem o decidirá será o mercado modelado pela crise mundial. Era o mercado que mantinha Lula surfando nas pesquisas.

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