LUIZ GERALDO MAZZA
Os pragmáticos
Rotular tanto o atual presidente do Tribunal de Contas, Hermas Brandão, como o presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus, como pragmáticos é esquecer que outros tantos como o próprio Requião e Alvaro Dias, que usam embalagem idealística, também assim podem ser classificados. Hermas e Justus foram peças relevantíssimas do período de Lerner especialmente no caso da derrubada da lei de iniciativa popular que proibia a venda da Copel. Os dois, com a mesma disposição e energia, que ajudaram depois o governo subsequente, fizeram o impossível para deixar a Copel ser leiloada.
Foram leais antes e depois, simplesmente a conjuntura é que se alterou e só na cabeça dos ingênuos se caracterizaria como conjura.
Acordos brancos
Fala-se muito em ''acordo branco'' em várias versões todas beneficiando Requião como imbatível para o Senado em chapas em que os beneficiários seriam, a um só tempo, os três postulantes do momento, os irmãos Osmar e Alvaro e o prefeito Beto Richa. Numa delas, engenhosíssima, a cabeça de chapa seria de Beto Richa e as vagas ao Senado para Osmar e Requião, com o Alvaro, assegurados mais quatro anos de mandato, esperneando com aquele argumento bem original de que tudo deveria passar necessariamente nas pesquisas.
Quando Alvaro perdeu para Jaime Lerner quem esnobou o aliado foi Requião. Ao perceber que cada vez, que se aproximava daquele que lhe garantiu a eleição mantendo-se no governo em 1990 caía no Ibope, tirou o time. Foi um tanto quanto sutil, mas desleal. Depois tivemos o repique: Requião enfrentava Lerner e Alvaro saiu pelo Senado mantendo uma ''aliança branca'' com o vencedor. Há um documento desta ''FOLHA'', um cromo em que Alvaro aparece com um capacete com dizeres de apoio a Lerner, que teve forte repercussão e criou prosélitos.
Essas razões são suficientes para mostrar que o pragmatismo é apropriado ao exercício da política, mesmo quando praticado por aqueles que fazem discursos moralistas ou doutrinários. Daí perceber-se que numa certa perspectiva tanto o Nelson Justus quanto o Hermas Brandão são mais verdadeiros e autênticos nesse tipo de ação missionária, a rotina do fazer política.
Mudança impossível
Como as instituições acabam modeladas pelos que as dirigem a Assembléia reage por tradição a qualquer mudança em profundidade e repete os rituais de sempre, ainda que hoje ganhando ares de modernidade com o painel eletrônico e mormente a TV SINAL que dá de dez a zero, em sentido público, na TV EDUCATIVA. No que diz repeito à projeção institucional do parlamento e na qualidade e valor cultural dos seus documentários e mesas redondas. Também é difícil esperar mudança no Tribunal de Contas, apesar da promessa de Hermas de empenhar-se para reduzir significativamente a delonga dos procedimentos. Arraigadas estão ali algumas condicionantes que se reproduzem também no Judiciário. Até a circunstância da discussão em torno dos ''gafanhotos'', na qual Hermas é informante, tenta sugerir que tais episódios tenham se dado recentemente e não como praxe das patologias ali praticadas há tantos anos.





