LUIZ GERALDO MAZZA
Pontapé inicial
Deu para perceber em Curitiba e Londrina o pontapé inicial das articulações políticas do novo ano. Na Capital, a posse de Beto Richa foi o meio encontrado pelos políticos do PP e de outras agremiações, não contempladas como esperavam na partilha secretarial, para ratificar o seu protesto. A ausência deles na solenidade, na perspectiva própria, seria um míssil na festa, embora a turma de apaniguados não enxergasse nele nem um traque baiano ou espanta-coió. É que a vitória de Beto Richa é de tal magnitude, com seus mais de 77% de votos, que tira o brilho de qualquer protesto ou pretexto, ainda mais quando reduzido à sutileza da mensagem indireta sem a contundência da clareza.
Londrina, questão delicada
Já em Londrina houve algo bem mais importante, na medida em que a escolha da Mesa da Câmara Municipal implicaria em afirmar o grupo dominante na gestão de transição até a posse definitiva do prefeito que deve sair do terceiro turno entre Luiz Carlos Hauly e Barbosa Neto. É desalentador para uma cidade com o porte e a complexidade de Londrina não ter sido premiada por ações da gestão Nedson Micheleti junto a uma equipe precursora da nova ordem. Problemas políticos sérios estão sendo criados, como se viu no andamento de todas as tramas de cooptação, com vastíssimo jogo de informação e contrainformação, dá para prever consequências bem piores no plano administrativo.
Ruim para a justiça
Digam o que disserem em sentido contrário, mas nenhuma instituição se saiu tão desgastada no episódio quanto a Justiça Eleitoral: as delongas processuais, prenhes de incidentes formais e substanciais, ainda que fossem adotadas para garantir a amplitude do direito de defesa, colocam em risco a finalização dessa consulta popular. Mas o próprio Tribunal Superior Eleitoral tomou em menos de 72 horas, quando da discussão dos desdobramentos do primado da verticalização, duas decisões diametralmente opostas, a primeira por 6 votos a um e a segunda, uma ''virada'' em relação à primeira, de sete a zero e isso em função da reação de agentes políticos inconformados.
Teste profundo
Se hoje o País acompanha mais de perto essas contradições e conflitos do Poder Judiciário, como nas marchas e contramarchas no choque entre o primeiro grau e a instância superior no ''affaire'' Daniel Dantas, isso sem considerar os rachas entre órgãos do próprio Executivo como Polícia Federal e Abin, há também as compensações como a admissão das pesquisas com célula-tronco e a questão da faixa contínua das nações indígenas com a restrição, clara e indiscutível, quanto ao domínio do subsolo e também a preservação da soberania na presença do Exército e da Polícia Federal na área. E sobretudo acima do que se possa interpretar o enquadramento pelo STF em função do zelo da Procuradoria Geral da República dos ''mensaleiros'', todos figuras do que se pode considerar ''elite'' no processo nacional. Se em Londrina nós temos um terceiro turno eleitoral, no Brasil, graças a conflitos institucionais, assistimos à reengenharia da Constituição Cidadã de 1988.





