Horizonte embaçado
Não temos nem no município da capital, cujo módulo menor permite um melhor nível de organização, e muito menos no governo estadual visão de futuro, algo, por exemplo, para os próximos vinte ou trinta anos. Tanto o Ippuc, que cuidava com pertinência dessas indagações, não é o mesmo e nem tem a força motriz e norteadora dos seus primeiros ensaios, e muito menos o Instituto Paranaense de Desenvolvimento, o Ipardes, que se incumbia dessas prospecções.
Desde que a inteligência desertou dos governos substituída pelo oportunismo ágil dos marqueteiros (dê-se uma olhada em Curitiba, no Paraná e no Brasil e ver-se-á que Beto Richa, Requião e Lula não se desgrudam do palanque) e também se decretou a laicização do Estado em planejamento a modorra é a mesma em todas as possíveis dimensões.

Keynesianismo inviável
Justamente no momento em que à esquerda se fala tanto no retorno do Estado provedor - isso jamais saiu do discurso de Requião sem que tivesse qualquer evidência prática no mundo real, como se vê nas mediocridades doutrinárias sobre o porto que não funciona - e na celebração de Keynes, tão relevante na profilaxia da Depressão ianque, percebe-se que os núcleos de pensamento estratégico estão há muito desativados. Quando assistimos, entediados, as terças insanas, dá para perceber que não há espaço para a reflexão e tão somente a algaravia contra inimigos reais ou imaginários do duce que como o original italiano e mais autêntico e talentoso ''sempre tem razão''. No fim dos anos 50, século passado, nos governos Oliveira Franco e Moisés Lupion, eram comuns as sessões psicodramáticas da Coordenadoria do Pladep, Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná, uma estruturação complexa como as dos conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social de Lula, com delegados do corpo técnico e científico, representações políticas, sindicais e empresariais em uma ''brainstorming'' em que se avaliava a conjuntura local e brasileira.

Lutas de emancipação
Assisti ali, por exemplo, a luta que traria ao Paraná a Usina de Xisto após o erro histórico da Petrobras de instalá-la em Tremembé, São Paulo. Acompanhei os esforços da luta para o combate imediato às geadas que levavam o Apocalipse à região cafeeira: os testes com nebulizadores e o esforço de zoneamento para evitar, o quanto possível, que chegasse abaixo do paralelo 24. A ciência não estava ausente dessa mobilização e era um show de conhecimento assistir os desdobramentos dos debates desse grupo multidisciplinar, a Universidade presente num momento em que o governo estadual tinha o IBPT, Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas, retaguarda de pesquisa pura e aplicada. Foi essa base, hoje inexistente, que nutriu as ações da Codepar/Badep que iriam ditar o rumo da diversificação da economia paranaense, da sua industrialização e do avanço tecnológico que ajudaria, por exemplo, a fazer do cooperativismo paranaense um modelo nacional. Nossas batalhas emancipatórias vieram dali e hoje perdemos a prospecção porque não fazemos sequer o diagnóstico.

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