LUIZ GERALDO MAZZA
Nas praias a mesmice
Essa época do ano é a de restabelecer as mesmas críticas de sempre a respeito dos nossos balneários. A circunstância de as prefeituras não terem pago a coleta do lixo obrigou o governo estadual a novamente intervir na questão, pois era intolerável para banhistas suportarem o constrangimento. Enquanto havia uma perspectiva de um aumento da procura das nossas praias em função dos acidentes naturais com cheias e deslizamentos em Santa Catarina, o que se observou foi essa situação dos resíduos não coletados e num momento em que era visível a presença governamental em função do corte do suprimento de água dos domicílios que não se ligavam à rede coletora de esgotos.
O corsarismo imobiliário é que determina o destino dos balneários já que sua ação não é precedida de cautela ou planejamento que leve em conta um mínimo de normas consequentes sobre política de usos de solos. A melhor iniciativa - ou ao menos a mais abrangente - foi a elaboração de um Plano Diretor das praias pelo escritório de arquitetura e urbanismo de Luis Forte Neto, isso no longínquo período administrativo de Paulo Pimentel quando o Paraná atravessava uma fase de realizações e assentada em planejamento.
Do gabião ao engordamento
Nos governos de Canet Júnior, José Richa e Alvaro Dias foram adotadas medidas de emergência para evitar o solapamento especialmente da Praia Mansa em Caiobá e uma engenharia especializada com gabiões para deter o ciclo erosivo que alcançava também Matinhos. A recuperação anunciada não foi grande coisa e já no Governo Lerner se falou na hipótese do ''engordamento'' de Matinhos. Tudo ficou no papo furado e ganhou evidência na administração Requião quando se imaginou possível o uso da areia dragada do Canal da Galheta para ser usada nessa operação. Duas praias de Santa Catarina - as de Piçarras e Barra Velha -foram submetidas a ''engordamento''. Em Piçarras houve um ganho inicial superior a 150 metros, hoje com menos de 100 e por isso mesmo submetido à nova reengenharia. Consequências expressivas na valorização imobiliária foram registradas, tanto que os proprietários acederam a novo pedido de contribuição de melhoria para esse fim.
Um dos erros administrativos foi o do asfaltamento de uma via paralela ao mar de Matinhos a Praia de Leste e que atingiu áreas de manguezais e restingas, essa especialmente com notável poder de dispersão de energia e de prevenção contra solapamento e erosão.
Guaratuba, o dique
Das cidades balneárias do Paraná, Guaratuba, pelo porte urbano e existência ainda de áreas de expansão, é a mais categorizada a deter a tendência de êxodo dos paranaenses rumo a Santa Catarina e Camboriú, em especial. O solapamento da vila histórica, cuja correção foi tantas vezes prometida, ficou sujeito a novos ciclos erosivos porque os governos fizeram discursos e avaliações, inclusive de geólogos e engenheiros, mas tudo permaneceu na mesma e a área, que é pública, passou a ser ocupada por barzinhos e trapiches de particulares como se aquilo fosse a casa da Mãe Joana.





