LUIZ GERALDO MAZZA
Natal em queda
Já não se pode mais assegurar que as festas natalinas se constituiriam no único evento pararaense capaz de figurar em calendário nacional de turismo. Ocorre que iniciativas como a do Bamerindus, que tiveram sua continuidade com o HSBC, com a apresentação dos corais de crianças no Palácio Avenida e que tanta emoção provocam, já tem outras muito assemelhadas em grandes centros como em Fortaleza. Em plano menor até em Morretes há uma.
Outras atrações como a da iluminação das casas e nos concursos de fachadas perderam intensidade, a apresentação de presépios, autos de natal, mostras de arte e iconografia religiosas também não tiveram uma continuidade que desse mais consistência às celebrações. Indispensável é que se tente manter um toque nosso, personalíssimo, na promoção para evitar o que ocorre com aqueles eventos de traço meramente regional como as festas da uva de Colombo, São José e Santa Felicidade que jamais se aproximariam das nacionais como as de Caxias e Bento Gonçalves ou iniciativas como da Oktoberfest de Marechal Cândido Rondon, do chope preto em Ponta Grossa ou do carneiro no buraco de Campo Mourão ou ainda do porco no rolete de Toledo. Necessária uma reflexão profunda sobre o tema e com uma avaliação bem posta sobre o que fazer em relação ao nosso maior pólo turístico, o de Foz do Iguaçu, algo menos irresponsável do que os pretensiosos Jogos da Natureza, que apelidei de Jogos da Safadeza na gestão Lerner e que visavam promover (a idéia era boa, porém muito mal executada) a chamada Costa Oeste.
Turismo & religião
Temos condições de tirar maior partido das manifestações religiosas dirigidas a um turismo específico a começar das celebrações da padroeira do Paraná, Nossa Senhora do Rocio que neste ano, em que pese a precária organização, teria mobilizado quase um milhão de romeiros em Paranaguá. Obviamente nenhuma delas se aproximaria do Círio de Nazaré, todavia despertaria para um ângulo que não temos concedido a atenção merecida.
Nas celebrações da Semana Santa, principalmente em Curitiba pela variedade de ritos religiosos, seria possível fazer algo articuladamente que iria das encenações teatrais da Paixão pelo Grupo Lanteri e outros, as procissões e sobretudo pelas celebrações dos ucranianos, com a variedade das suas artes como os ovos pintados (peçânkas) e a benção dos alimentos (krachânkas). Não há cidade paranaense, e até povoados, que não tenha uma celebração específica e que possa e deva ser desenvolvida pelo apoio comunitário ou oficial.
Romarias de rotina
A maior romaria de rotina da Região Metropolitana é a tradição das quartas feiras no Alto da Glória, bem à frente do Estádio Couto Pereira, da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro com sua missa. Anteriormente a manifestação se dava em igrejinha particular e que deu as bases de sustentação para eregir o templo permanente. Como se situa no corredor de transporte mexe praticamente com a cidade inteira. Essas romarias são um referencial para definir potencial dessa especificidade turístico-religiosa.





