LUIZ GERALDO MAZZA
Autonomia e dependência
Celebramos hoje 155 anos de autonomia paranaense. Se para consegui-la enfrentamos dissabores que soubemos superar, não estamos indo tão bem no que diz respeito à sua consolidação como unidade federativa. E uma prova nós a tivemos nessas horas em que o esforço concentrado do Legislativo procurou desobstruir a pauta, mas sempre agindo com espírito de submissão - e que não é de hoje, todavia uma cultura - aos ditames do Executivo.
Dava para num esforço literário comparar a última sessão legislativa à peça teatral de Eugene O'Neil ''Uma longa jornada do dia para dentro da noite'' se ela tivesse a dimensão olímpica de um ato resistência e não a rotina da servidão, como sempre acontece, independentemente do governante de plantão.
Se lembrasse, por exemplo, a reação da sociedade e em seguida do Congresso contra a persistência da espoliativa CPMF, mimetismo fiscal na verdade mais um imposto do que algo aceitável em nossos códigos, ela valeria. Como também se tivesse a magnitude das CPIs como a que apurou a sordidez do mensalão.
E os Poderes?
Quando o poder político por excelência, que cortou na própria carne em vários episódios, inclusive naqueles que deitaram as bases para derrubar Collor ou ainda os que devassaram as ações dos anões do orçamento, age na direção certa ajuda a nutrir os demais poderes inclusive o Judiciário que também em função de um Ministério Público atuante e competente enquadra infratores de toda ordem como se deu paradigmaticamente no caso dos mensaleiros.
Ao contrário o processo civilizatório, que vem da prática democrática, por aqui é travado em função de conveniência que amarra as instituições às razões da sociedade cartorial e resistente. É surpreendente como não se dá na capital o que assistimos em Londrina com a cassação de um prefeito e mais recentemente no afastamento de numerosos vereadores. A capital estaria vacinada contra as patologias ou elas por aqui simplesmente não existiriam?
Oliogarquia e coronelismo
O Tribunal de Contas da União, por exemplo, faz enquadramentos e glosas, punições e correções inaplicáveis na unidade federativa. É claro que não se trata de exclusividade paranaense. Quando da campanha dos meios de comunicação e das casas do Congresso contra abusos cometidos pelo presidente da Câmara Alta, Renan Calheiros, também se percebia no interior de Alagoas uma resistência articulada em defesa dessa supervivência do coronelismo. Na verdade, há aqui, nessa sociedade dita complexa pela vanguarda do agronegócio e do avanço industrial e sobretudo urbano, a reprodução desse lamentável cenário. Mal nos diferenciamos dessa força imperial da oligarquia. Lamentável que a evolução observada na superação dos vários ciclos econômicos e sociais não chegue à instituição representativa. O mandonismo transforma o conjunto da sociedade paranaense em refém de um sistema de poder legal, mas claramente de tradução ilegítima, um acerto, um acordo de minorias que só tem aparência de democracia e que a rigor não passa de uma tirania contida.





