O absenteísmo
  Londrina é, sabidamente, a cidade engajada do Paraná. Demonstrou-o em plena ditadura, elegendo figuras de oposição, e na restauração democrática, dando lições de como deve funcionar a participação da comunidade que levou até a cassação do prefeito Belinati e a uma intervenção no telejornalismo da Rede Globo pela parcialidade com que conduzia o noticiário. Mais recentemente, novas demonstrações de vigor se deram com a devassa na Câmara Municipal e que teve respostas claras na eleição com a renovação das mais altas do legislativo em todo Paraná.
  Agora ela corre um risco sério: o de aparecer, em função do ocorrido no TSE, como o anverso da participação, que seria uma taxa elevada de absenteísmo, via votos nulos e brancos, pela declaração a posteriori da impugnação do candidato vencedor. Não se pode negar a força desse dado psicológico e decorrente do inconformismo com o sacrifício do candidato mais votado. Se no Brasil o voto fosse facultativo, essa expressão se tornaria clara com a fuga de boa parte do corpo eleitoral.

Descompasso sério
  É surpreendente o descompasso entre a imagem ativa e dinâmica no Judiciário no STF com a incidental e confusa do TSE, justamente num setor em que a sociedade está diretamente interessada sob a perspectiva cívica. Ora, embora haja restrições ao ativismo jurídico, visível na Súmula Vinculante 13 sobre o nepotismo, na fidelidade partidária e na greve dos servidores públicos, em que as decisões tiveram força de édito e substituindo as omissões do parlamento, não há como negar a evolução.
  Além disso, os grandes temas do mundo contemporâneo como a deliberação sobre as pesquisas com célula-tronco e, mais recentemente, a da reserva contínua dos índios reconhecida, mas também garantida a presença do Estado na questão da soberania nacional e subsolo e a atuação ali do Exército e Polícia Federal, todas essas questões revelando firmeza e competência.
  Isso não é de agora, bastando lembrar que os desdobramentos de uma decisão sobre ‘‘verticalização’’ movimentaram de tal forma os agentes políticos que a Corte se viu obrigada a mudar de orientação: por sete votos a zero alterou a adotada anteriormente, diametralmente oposta, por seis votos a um.

Prejuízo à campanha
  Antes das eleições, a Justiça Eleitoral ocupou espaços nobres na televisão e no rádio fazendo a pregação da importância do voto. Tivemos aulas massivas em cima desse compromisso irrenunciável. Todo esse trabalho pedagógico se dispersa diante do elevado número de eleições sub judice, o que conflita com o sentido mais profundo da convocação feita.
  Haja o que houver, a seqüência de episódios confusos milita em direção oposta à mecânica institucional e ao provimento das demandas populares e se Londrina se faz um paradigma, como segundo maior pólo urbano do Paraná, temos outras situações análogas como a vivida por Araucária, cuja decisão foi adiada no meio da semana. Urge que se processem as mudanças legislativas e processuais para que as eleições sejam preventivamente fidelizadas e com menos transtorno.

mockup