LUIZ GERALDO MAZZA
Capacidade de investir
O senador Osmar Dias suscitou um problema estratégico: a perda de capacidade de investir do Paraná, há muitos anos oscilando entre 5% e 6% de um número expressivo como o de 2009, de R$ 22 bi. Inflado pelo custeio, o Estado se revela autofágico. Com habilidade, São Paulo chega a 11% do orçamento, Minas 9% e nós, com apenas 5,6%. São Paulo emplacou R$ 9 bi em 2007, enquanto o PAC federal chegava a R$ 8 bi, e, neste ano, saltou para R$ 12,7 bi, contra R$ 8,2 bi do programa nacional. Para 2009, se a crise não afetar, faz 15% do orçamento. A impressão é que marchamos em areia movediça num estado flácido.
Defeitos
Obras com defeitos são especialidades do governo paranaense: o Terminal de Álcool, em Paranaguá, e o Hospital de Reabilitação, em Curitiba, que ficaram longo tempo sem funcionar, podem ter que sofrer modificações radicais. Nos dois casos, foram apontados como paradigmas, e o hospital chegou a ser referido como superior ao Sara Kubitschek, o maior da América Latina na especialidade.
Pirataria
Em quase todos os terminais de ônibus de Curitiba um verdadeiro mercado de produtos piratas funciona livremente. Para que essa Guarda Municipal?
Outro caminho
O seminário de sábios, que o governo paranaense vai patrocinar, apontará um ''novo caminho'' como se deu na primeira gestão de Requião. Se a tonalidade for bolivariana, será um misto desse populismo, que se acredita o socialismo do século XXI, de Chaves-Morales-Correia-Lugo com o toque do MST e Via Campesina. Logo chegaremos ao homem de Neanderthal.
Contradição
''Calma''- disse o analista- ''isso é apenas o seu karma!''
Portos
Antonina foi desterrada pelo governo na questão portuária: perdeu 80% das suas cargas e o Terminal de Congelados, da Ponta do Félix, que poderia estar absorvendo parte das mercadorias de Santa Catarina está ''a ver navios''.
Isso mexe com o ''inconsciente coletivo'' antoninense, pois a cidade não perdoa Caetano Munhoz da Rocha, que ali nasceu e que consolidou no governo o terminal de Paranaguá. Agora isso volta a aflorar, como se já não bastasse a cassação e o retorno do prefeito.
Folclore
Requião louva a Sanepar e a Copel, mas segundo relato do TC de 2007, não paga as contas de água e energia. Se um cidadão comum o fizer, sofre o corte do serviço. Num momento de descontrole, porque não consegue afastar da Sanepar os sócios do Dominó, anunciou o fim da empresa e o surgimento de outra sem sócios privados. É como se a Penélope, cansada de esperar Ulysses, enquanto costurava e descosturava, perdesse as esperanças e lançasse o bordado pela janela.





