Utopias regressivas
  Mania da moda é a utopia regressiva como a de considerar o MST uma graça de Deus e tanto que um dos seus maiores líderes veio falar para PMs anteontem numa solenidade, o João Pedro Stédile. Objetivo é mostrar que o governo do Paraná, irmanado à Carta de Puebla, não criminaliza movimentos sociais, mesmo quando fazem do crime a sua forma de intervenção.
  Quem invade, destrói propriedades, rouba o gado é infrator e não há como dentro do Estado de Direito Democrático ser condescendente. A Igreja em regra vai a outro extremo da direita que criminaliza tais ações: ela os beatifica, tal como se fossem portadores de indulgências plenárias permanentes.

Anos 50
  Outra reflexão regressiva é essa da fixação com os atos do regime militar, e que foi deflagrado em função de situações bem menos graves das de agora, como se a agenda desse pessoal se limitasse à cobrança da tortura. Ora embora tida como crime imprescretível a tortura é rotina não apenas por parte de agentes de Estado como também do crime organizado. É claro que ela, a comum, é a tortura sem charme, a aparentemente despojada de conotação política. A linha de pensamento, se é que ela está articulada, traz soluções dos anos cinqüenta, século passado, e que teriam sido obstaculizadas pelo golpe de 64. Não há um só pensador, que tenha integrado os quadros do Iseb, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, que não se recorde dessa fábrica de ideologias com algum constrangimento em que se misturava marxismo e nacionalismo que para os mais sérios são conflitantes e até antinômicos.

Dialética bem-intencionada
  Juscelino, que era um democrata, estimulou o Iseb para haver diversidade em relação a outro pólo, mais ligado à ordem e à geopolítica internacional, que era a Escola Superior de Guerra. Foi essa doutrina que se consuma em 64 como já havia anteriormente inspirado a derrubada de Getúlio Vargas e Estado Novo e que nasceu nos campos da Itália na 2ªGuerra na ligação entre nossos oficiais e o norte americano Vernon Walters que viria a dirigir a CIA. Sofreu um breque em alguns eventos como o que tentou impedir a posse de JK em 55 e o de 1961 com as ações de Brizola pela posse de Jango após a renúncia de Jânio. Dá para perceber que havia uma estratégia comum entre a corporação militar brasileira e o compromisso logístico ocidental e que se tornou enriquecido na imanência da Guerra Fria.
  Consta que Walters esteve na 5ªRegião Militar, então comandada pelo general Cordeiro de Farias, acertando, justamente em Curitiba, a criação da Escola Superior de Guerra. Há um depoimento nesse sentido na série de entrevistas do ex-Bamerindus sobre a história do Paraná, de cuja equipe participei. Na volta de Getúlio ao poder em 1951 ficou nítida a linha de desenvolvimento a adotar e que em muitos aspectos conflitaria com o papel do capital estrangeiro. Eu estava presente na Conferência da Comissão Interestadual da Bacia do Prata, em 1953, quando o presidente anunciou a criação da Eletrobras e que feria interesses óbvios do capital estrangeiro aqui instalado.

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