LUIZ GERALDO MAZZA
Crises cíclicas
Era muito comum ao tempo da ''Guerra Fria'' que a cada dificuldade do sistema ocidental teóricos marxistas se referissem às crises cíclicas do capitalismo.
Como economista não desdenha o fator emergente, imediato, dá para imaginar o que teriam dito do ''crash'' da Bolsa de Nova Iorque em 1929, a sequência da recessão e o início da depressão que geraria, alguns anos depois, o ''new deal'' que não deveria ser um saque de marketing como o das operações da Polícia Federal, embora o Obama esteja falando em ''nova aurora''.
Simplificadamente a teoria é a seguinte: os ciclos virtuosos da economia - e nós estávamos mergulhados num deles - são sucedidos por períodos de retração intensa e de duração média. Há quem aposte que no mínimo teremos o alongamento da crise atual e suas sequelas por pelo menos três anos. Raciocinar sobre isso com as altas e baixas da Bolsa é praticamente impossível porque os humores do mercado nem sempre respondem a fatores concretos.
Quem confunde o passageiro com o permanente quebra a cara como o sociólogo de esquerda americano, Michal Harrington, quando viu nos choques do petróleo o que ele chamou de ''Crepúsculo do capitalismo'' entendendo que a Opep, cartel dos produtores, subordinaria e muito os países industrializados e isso acabou, como todos sabem, não acontecendo.
Liberalismo e liberismo
Homem de esquerda, senador vitalício do Partido Socialista, Norberto Bobbio, que tentava a ponte entre liberalismo e socialismo com fé e racionalidade, chamava a distorção contemporânea do capitalismo de liberismo. Seria isso que chamam de ''neoliberalismo'' e a tese do Estado Mínimo (isso não existe, nem nos Esteites ou em qualquer referencial relevante da Europa) e muito menos na China, uma ordem centralizada e com capitalismo induzido e macro-Estado. A tese do ''laisse faire'', o deixar fazer, deixar passar, é uma referência histórica, mais teoria do que prática: basta demonstrá-lo com os Estados Unidos da América do Norte com suas barreiras protecionistas e que se aguçam, a cada vez, que os democratas chegam ao poder como deve acontecer com Barack Obama nas relações com o Brasil. Votamos nos democratas e sifu.
Haja precipitação
Dizer que a crise atual é a queda do muro do capitalismo como muitos fizeram, dando uma de profeta, às vezes centrados num profeta que errou bastante, Marx, que só admitia a ''revolução'', como a concebia, numa ordem industrializada como a inglesa e jamais numa estrutura feudal como a da Rússia, na qual afinal se instalou. Aliás para mostrar a distância entre o que o gênio barbudo pensava e os que se acreditam seus seguidores basta lembrar que quando da invasão do México pelos ianques ele a saudou como uma ruptura diante de uma ordem atrasada, o que jamais seria acompanhado pelos nacionaleiros da moda e com sua visão estereotipada e maniqueísta dos embates históricos. Socialismo real não chegou a existir e o capitalismo pode ser controlado pela democracia.





