LUIZ GERALDO MAZZA
Tempo de bravata
Como todos se dizem vencedores das eleições municipais é hora da bravata. Não deixa por menos o Romanelli: o PMDB pode aspirar a presidência. Ora o partido tinha seus quadros mais aptos para essa pretensão justamente naquele grupo que hoje é o PSDB: o falecido Mario Covas, José Serra e aquele que chegou lá, FHC. Do PMDB mesmo as experiências havidas com o Ulysses Guimarães, um dos seus vultos, e com Orestes Quércia resultaram em frustração. E convenhamos que o PMDB hoje não tem alguém com a aura do velho Ulysses, embora não se deva subestimar o peso de um Sérgio Cabral, do Rio, mas no máximo para um papel de vice, nunca de protagonista efetivo.
No PSDB houve dois vencedores que se habilitam por feitos em São Paulo e Belo Horizonte, José Serra e Aécio Neves, aquele mais forte do que este, numa linha de maior autonomia, enquanto o outro tem uma ponte mais sólida com Lula.
Interlocutores
A função dos interlocutores se define e muito a partir de eleições locais. Assim é que se considerava o PP, em função especialmente do havido em Londrina e Maringá e mais em Guarapuava, um agente privilegiado nas negociações voltadas para as sucessões estadual e nacional. Como o imbroglio de Londrina e a provável perda do espaço conquistado por Antonio Belinati (na verdade é regionalmente mais forte do que os negociadores em dimensão nacional) cai um pouco o cacife de Ricardo Barros que é peça importante, tanto da aliança lulista quanto da formada, em Curitiba, para eleger Beto Richa.
Sem automatismo
Aos poucos se percebe também que as primeiras análises decorrentes do pleito eram estabelecidas quase emocionalmente em decorrência de feitos relevantes como o da percentagem alcançada por Beto Richa e da vitória de Kassab em São Paulo, engenharia atribuída a José Serra. Não há um automatismo que obrigue o PSDB a convocar o prefeito curitibano para a sucessão estadual como também a idéia da mega aliança em torno de Osmar Dias prevalecer. E temos um fato novo, uma crise mundial que já está nos afetando que atingirá duramente os programas de governo e com isso mexendo na capacidade de articulação e de consolidação das coligações. Osmar Dias está mais para figurar na chapa oficial do que numa que expressasse a oposição. E poderemos ter inclusive dois irmãos se pegando na disputa do governo. Não é a primeira vez que isso ocorre: os Requião, Maurício e Eduardo, disputaram a prefeitura de Curitiba. Só que sem a mínima condição de ganhar, o que já acontece com os Dias, mais habilitados.
Chavismo
Se o ''chavismo'' ganhar expressão, o que é difícil na gestão da crise que já fez despencar os preços do petróleo, haveria uma pálida chance de Requião, que é a expressão mais clara dessa ''utopia retrô''. Ela conflita com o caráter complexo, sob a perspectiva da modernidade, da sociedade brasileira. Na maré vazante dos ''socialismos'' latinos o governador poderia flutuar.





