A próxima parada
Esta FOLHA tem produzido uma série de textos documentais sobre menores infratores que revelam o óbvio trágico: de janeiro a outubro deste ano foram assassinados 42 jovens que estavam sob regime socioeducativo, número maior do que o do ano passado que ficou em 38, e mais ainda que 92% dos infratores se acham fora da escola. Mostra a inutilidade aparatosa do Estatuto da Criança e do Adolescente, tão decantado e tão pouco instrumentado. Reproduz em números a tragédia do ônibus 174 ora levada ao cinema que narra a história de um menor sobrevivente do massacre da Candelária e que seis anos depois do ocorrido é o sequestrador do veículo. Essa omissão de todos os órgãos encarregados da tal proteção do menor - polícia, educadores, conselhos tutelares, juízes - é o que pesa nessa trajetória.

Ouvir e suportar discursos laudatórios sobre o ECA e assistir o registro desse massacre (os 42 assassinados) e dessa desídia (os 92% fora da escola) dá impotência e, sobretudo, afronta quando vemos tanta gente surfando em cima do tema e como se todos estivessem cumprindo a sua parte. O gorjeio retórico não torna o sangue coagulado com mais glamour.

Autocrítica
Pelo jeito a sessão de autocrítica do PT não foi aguda: a candidata derrotada de Curitiba, Gleisi Hoffmann, esteve na Assembléia e disse que o partido tem vários nomes para a sucessão estadual, entre eles o de Nedson Micheleti. É por essas e por outras que prospera num setor do PMDB o nome do Delazari.

Mobilização inócua
O oba-oba presente, primeiro no Palácio das Araucárias, depois na viagem do comitê pela sediação da Copa do Mundo em Curitiba junto à CBF. Um absurdo fazer, ainda mais em meio a uma crise cuja extensão se desconhece, aplicação de dinheiro público que só vai beneficiar um clube, o Atlético, já que o outro interessado, o Coritiba, está descartado. Provar que isso trará benefícios aos paranaenses é de uma hipocrisia sem tamanho. A justiça poética deveria trazer até nós um jogo entre a Arábia Saudita e a Irlanda. Que festa!

Reboque
Romanelli está sugerindo que o PT vá a reboque do Orlando Pessuti em 2010.

Porto
Quem festejou a notícia de que o Porto saiu das mãos do Eduardo foi o Mário Roque, de Paranaguá. Ele acha que aquele seu grito de ''saia'' foi profético.

Folclore
Normalmente quem vence eleições é que faz viagens faustosas. Aqui o governo não foi lá essas coisas e não deixa por menos: vai a Dubai em comitiva.

Partilha
A partilha de secretarias na próxima gestão Beto Richa vai ser uma opereta: qualquer cabo eleitoral se acha com tantos direitos quanto vítima de 1964.

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