LUIZ GERALDO MAZZA
Balanço final
Com o segundo turno em Londrina e Ponta Grossa vai ser possível o balanço final da geografia eleitoral do Paraná. Mudou bastante e ficou visível que, embora tenham aumentado o número de prefeitos, PMDB e PT sofreram revezes pesados demais nos maiores centros como a eleição de 2006 já revelara.
Dá para perceber que uma reengenharia nas alianças se processará, o que é visível na consideração do ministro Paulo Bernardo de que Osmar Dias, por estar na base de Lula, poderá ser ungido e essa reflexão tira o sentido de que a coligação que elegeu Beto Richa em Curitiba se manteria intacta.
As eleições para presidente tenderão a subordinar as de governador por causa da prioridade essencial que traduzem. Se a crise persistir na escalada, até aqui observada, Lula não estará, dentro de dois anos, com o cacife que desfrutava ainda em setembro, antes da bolha de consumo ser perfurada e as bolsas despencarem. Indicadores macroeconômicos menos subtanciosos cortarão o embalo triunfalista e tirarão do presidente e por extensão das suas alianças a aura até outro dia desfrutada.
Cenários possíveis
A estabilização monetária, que se deve a FHC e não a Lula, já está sob grave risco, especialmente em função da situação cambial até porque para debelá-la o governo tem queimado reservas significativas. Se a crise se alongar tudo aquilo que ajudava os detentores do poder passará a hostilizá-los, como se vê claramente no andamento da campanha eleitoral dos Esteites.
Dificilmente haverá condições de algo como o Pacto de Moncloa dos espanhóis para unir todos em busca de um consenso institucional. Todavia se for viável poderemos até viver experiências do passado como a dos candidatos de união nacional que mais existiram no plano imaginário do que no real.
Se a prodigalidade não for contida - estamos aí com a enxurrada de aumentos da Câmara Federal (incrível e inaceitável a existência de quase meio milhão de servidores) e o cortes nos gastos públicos não vierem como imposição - haverá clima interno para radicalização. As coisas podem caminhar para o que vimos com Sarney que enquanto lamentava o fracasso do Plano Cruzado (que levou às lágrimas a Conceição Tavares) disparava o maior processo inflacionário de nossa história.
Crise, crisol
Foi o teólogo Leonardo Boff, um dos pregadores da Teologia da Libertação, que fez um jogo semântico apropriado com a palavra crise vinculando-a à idéia de crisol, ao cadinho em que se fundem os metais e aquilo também em que se apuram os sentimentos. Nos Estados Unidos a quebra da Bolsa em 1929 deu origem ao ''New Deal'' de Roosevelt em que a intervenção estatal, ao gosto de Keynes, restabeleceu o equilíbrio para a recuperação do mercado e nível de emprego.
Nessa perspectiva, e não é desprezível o esforço internacional despendido pelos bancos centrais para aliviar a tormenta, a crise pode gerar saídas até aqui nem imaginadas para driblar o ''crash'' e redefinir o capitalismo.





