Diferenças de estilo
O episódio do cerco do Palácio em São Paulo (nos anos oitenta a massa derrubou os muros na gestão Franco Montoro) em que houve um sério choque entre policiais civis e militares mostrou a diferença substancial de estilo entre José Serra que partiu para o ataque acusando centrais sindicais e o de Alvaro Dias quando da crise com os professores de 1988. A sua perplexidade aliada à falta de pulso levou a uma exploração inevitável do episódio que lhe rendeu perdas políticas irrecuperáveis e até certo ponto merecidas.

Alvaro como Requião gostam de ficar no ataque e normalmente na defesa do primado da moral. Um é mais contido, mas teve peito para denunciar formação de cartel na segunda etapa da hidrelétrica de Segredo; Requião exasperou na contestação sistemática de contratos, sabidamente uma inutilidade.

Em nenhum dos dois a firmeza de convicção como agiu o governador Serra em momento de extrema tensão. Acusou, e tinha prova disso, a tentativa de politização do tumulto para render frutos na campanha eleitoral paulista. Quem tem ambições presidenciais deve revelar essa força como o demonstrou quando ministro da Saúde, pasta que raramente gera fatos políticos relevantes, ao quebrar a patente das drogas anti-Aids, ao lançar os genéricos nas farmácias e ao montar a cruzada, agressiva, quase terrorista, contra o cigarro.

Confronto
O estilo Beto Richa, afinal o ''novo'' da política paranaense, nega o caminho da contundência, ainda que tenha reagido bem, com a carta que publicou na mídia, contra as insinuações de Requião sobre a família naquele episódio do pagamento de fatura de R$ 10 milhões da DM na secretaria de Transportes. Levou uma tunda das espertezas de Hermas Brandão dentro do PSDB, em que o presidente da Assembléia Legislativa se valeu do seu poder de manobra para fazer a maioria na convenção partidária e impor o seu nome como vice. Vimos no caso que aquela aparência de monsenhor do Euclides Scalco, sábio e preceptor desde o tempo do pai, de nada adiantou. Aliás percebe-se em Beto Richa essa forte dependência dos enlaces afetivos como se viu na forma como tratou a patologia do seu chefe de gabinete, Ezequias, que era beneficiário da sogra fantasma. Nem se mostrou indignado com aquele envolvimento, entendendo que o acusado pagara a sua responsabilidade com seu patrimônio, o que não elide a fraude, como se sabe e que por vias oblíquas o envolvera na medida em que a ''funcionária'' estava formalmente em seu gabinete.

Longe de Ney e Bento
Essas figuras - Requião, Alvaro e Beto, incluindo-se aí o Osmar - estão bem distanciadas de lideranças como as de Ney Braga e Munhoz da Rocha, o primeiro mais pragmático, disciplinador e clânico; o segundo alguém que fazia da doutrina a preocupação para definir as suas ações como a de que governava para o futuro num Paraná em que as estatísticas nasciam desatualizadas. Próximo de Ney e do próprio Bento tivemos Parigot de Souza pelo carisma e energia postos a serviço de uma causa, a construção da Copel. É por isso que corremos o risco de idealizar o passado pelas fragilidades expostas do presente.

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