LUIZ GERALDO MAZZA
Aciolli presidente
Temos pelo país o caso de um prefeito na cadeia e despachando. Por que a Câmara de Curitiba não pode ter o Roberto Aciolli, o vereador mais votado, como presidente? Essa é uma questão, antes de tudo, jurídica e baseada no STF, que considera inviolável o princípio da presunção de inocência, que fulminou a intenção do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, de impugnar os ficha suja. Como o cidadão só pode sofrer a interdição com trânsito em julgado, o Aciolli, só agora, nove anos depois, apontado como autor de assassinato (o que mostra a omissão da mídia, das autoridades policiais, do Ministério Público e da própria Justiça), tem todo o direito de presidir a Casa e com mais densidade representativa do que o atual e crônico ocupante. É, também, uma forma de o Judiciário sentir o reverso do que faz, tal qual se deu com o habeas corpus de Marco Aurélio de Mello em favor do Cacciola, por mais técnico e bem doutrinário que fosse. Assim, também, o caso dos ficha suja.
Prioridades
Se a oposição não quiser murchar ainda mais em Curitiba, ela deverá aumentar a fiscalização em cima do condomínio de empreiteiras e prestadoras de serviço e ficar de olho em contratos e termos aditivos. Se fizesse isso, Beto Richa não faria os 77% da votação. Mas, isso não se faz na hora da eleição e sim ao longo do tempo.
Acidentes
Duas pedrinhas no sapatênis de Requião: as prometidas isonomias a coronéis com delegados de Polícia e a dos auditores da Receita com procuradores. Com a receita no vermelho (o governo não paga a Sanepar e a Copel, mas as agrada com aumentos de capital), vai ser difícil.
Greve
A greve bancária, em um momento em que a atividade está sob risco de descarte, ultrapassa os limites da racionalidade. E se usuários aloprados voltarem-se contra os piquetes, quem seguraria a parada? Incrível é que o grevista sempre conta com a civilidade alheia, já que a própria está fora de julgamento, acima do bem e do mal. O entulho trabalhista ajuda a nutrir a insânia.
Pesquisa
Alvaro Dias não muda: insiste em dizer que só desiste se as pesquisas assim o indicarem. A eleição do Senado, quando quase perdeu para uma desconhecida, é pesquisa eloqüente demais, mas não se liga. Nas eleições que perdeu para Lerner e Requião, valeu-se da precedência de pesquisas e daí?





