LUIZ GERALDO MAZZA
A bolsa ou a vida
Para muitos a Bolsa é a própria vida. E por isso se sentem na UTI. Também o movimento sanfona, do sobe e desce, é como as diástoles e sístoles do corpo humano. Mas essa organicidade obviamente não significa que a Bolsa tenha alguma humanidade, a não ser a da ambição e do lúdico, do jogo.
Antes era tradicional a frase do assaltante, arma na mão: a bolsa ou a vida. Nesse tipo de bolsa pode até haver fragmentos indispensáveis de vida muito além do eventual dinheiro, talões de cheques e cartões de crédito: lá estarão documentos como o de identidade e tantos outros que para obter segunda via é um drama tão duro quanto o de ser assaltado, até por se perceber o que há de inutilidade e ineficiência no aparato estatal. O que não deixa de ser um assalto, tantas as nossas obrigações fiscais.
Prestidigitação
O político é, antes de tudo, um prestidigitador tal qual o clássico do circo que tira coelhos e pombos de cartolas. Dá para percebê-lo nesse tarifaço do Requião que ele tenta ungir com a água benta da Conferência de Puebla na opção pelos pobres no custo do alimento, mas que provoca efeito em cascata atingindo serviços e produtos industrializados na incidência sobre energia, telefone e combustíveis.
Aí se iguala com o prefeito de Curitiba e seus auxiliares (e para ajustar o tamanho baleia da aliança aliada se verá obrigado a ampliar o quadro e a reciclá-lo) que são de uma mesmice e pasmaceira incríveis apesar da avalanche de votos. Nada temos por aí com visão do futuro: um repeteco irritante de soluções já claramente esgotadas em transporte, circulação, urbanismo. É um plantador de couve quando se exige para o planejamento o de carvalhos. Aliás o único dos Carvalhos é o baixinho do turismo.
O boicote
Acusação do prefeito de Rio Branco do Sul sobre a pane dos serviços públicos: o boicote teria partido de empresas que atendem o município. De lá se pode esperar de tudo: já teve o Bento Chimelli e o João da Brascal, que tinha uma horta de 100 motores de caminhão, prefeitos que foram afastados. O povo da cidade acha que o prefeito retaliou porque perdeu a eleição.
Só há um jeito de salvar a cidade: uma tormenta fecal seguida de uma chuva redentora de água benta.
Folclore
Lula disse que o Brasil não seria afetado pela crise e se ela existisse se tratava de problema do Bush (ele que resolva). Chamou tudo de marolinha e a Bolsa, no meio da tarde de sexta, tinha caído 8,47. Maior seguradora do Japão foi para o saco, a Votorantin perdeu R$ 2,2 bi. Até então surfando em números da macroeconomia e da estabilidade (devida ao governo que o antecedeu) e também nos elevados índices de popularidade estava tudo bem e o quadro mudou. Pelo menos se falasse menos ou deixasse de fazê-lo daria melhor contribuição. Aliás pesquisas sobre São Paulo também aconselham silêncio.





