Para o capital tudo
O mundo pode mobilizar-se como agora para salvar Bolsas e bancos, mas jamais o fará para conter o flagelo da fome. E os políticos essencialmente sabem que não podem fazê-lo porque se a fome for contida eles não terão discurso e, por isso mesmo, o ideal é deixar as coisas como estão.
Afinal, está mais do que evidente, à direita e à esquerda, que o discurso não reduz a fome e nem a pobreza, porém, elege.

O clichê
Volta e meia esse repetidor de clichês, que é o governador, saca a frase: a de um mundo dividido radicalmente entre dois grupos - o dos que não comem e dos que não dormem. Não dormem com medo dos que não comem. Essa frase de almanaque engajado é do Josué de Castro que se especializou em fome. As obras ''Geografia da Fome'' e ''Geopolítica da Fome'' - entre outros feitos - o levaram a um posto na FAO das Nações Unidas, especialista em olhar o problema.
Se ele comesse um espeto corrido à noite não conseguiria dormir também.

Demagogia
O ''Fome Zero'' do Lula foi uma dessas sacadas, puramente emocionais e tecnicamente mal articuladas, que exploraram o inesgotável filão. Como se vê a pobreza de raciocínio é também bem próxima da miséria por sua insuficiência.

Preferência
A Igreja fala em opção preferencial pelos pobres e se empenha que eles sejam muitos, razão pela qual é contra qualquer controle da natalidade e essa só se expande nos guetos da exclusão e em progressão geométrica. Felizmente, o Brasil é melhor do que a doutrina dos primários: a taxa de fecundidade tem caído, embora suba nos bolsões, urbanos ou rurais, de miséria.

Puebla
Puebla e Medelin já foram referências entre os fortes nutrientes da Teologia da Libertação. Esse grupo se revelou minoritário e fora de moda. Aliás uma das maiores construções desse movimento foi o das comunidades eclesiais de base, para o qual muito contribuiu a ação do cardeal dom Eugênio Salles, do Rio de Janeiro, tido como de direita, quando atuava no Rio Grande do Norte.

Folclore
Será que com o tarifaço, que chamam de ''reforma'' tributária, o governo afinal paga as contas de água (Sanepar) e luz (Copel)? O particular que não paga a conta acaba com o serviço cortado. É por essas e outras que o Estado é expressão de onipotência e discricionarismo.

Arrastão
A cada governo prefeituras de oposição não resistem e com ele se engajam. Com a decisão sobre fidelidade partidária espera-se uma nova atitude. O PPS elegeu 34 prefeitos, mas sofreu um arrastão do governo que ficou com 23. Dos 11, conseguiu agora eleger 18, 196 vereadores e 30 vices. Recupera-se do arrasto.

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