LUIZ GERALDO MAZZA
Sempre fora do tempo
Em Curitiba, o existencialismo, para efeito de debate nos jornais, chegou nos anos sessenta, também a Semana de Arte Moderna com décadas de atraso. Quando houve a onda ''swing'', aquela da troca de casais, o curitibano estava tão por fora que ao ser convidado disse que preferia um ''roque pauleira''. Também demorou para aportar por aqui o clube de desquitados, de solitários, que já havia sido tema de novela. Agora estão com essa estória dos pelados reavivando o ''streaking'', dos anos 70, quando as pessoas se desnudavam e se punham a correr pelas ruas, estádios e quadras de tênis. Isso se deu em 1969 o que dá exatos 39 anos. Talvez explique as duas gestões de Lerner e as três, ainda em andamento, do Requião. E esse vazio difícil de tolerar, quase num clima de filme do Antonioni.
Espanto
Telespectador irritado: ''outra vez pesquisa eleitoral?''. Isso está mais repetitivo que anúncio das Lojas Bahia.
O ideal
O sonho dos que desejam equilíbrio eleitoral no caso de Curitiba é que Beto Richa e Gleisi mudassem de comportamento como Donatela e Flora na novela. Aliás, por acaso, um e outra são o que projetam? Dá para apostar nisso.
Londrina
O populismo tem tudo pra voltar em Londrina se ficar mantida entre Belinati e Barbosa Neto a hegemonia. Há ainda o frisson da impugnação do Belinati e que deve criar esperanças para Hauly. Com relação a Hauly, Londrina é bem mais discriminativa do que Curitiba porque o tucano é de Cambé e aqui o londrinense Beto surfa em todas as pesquisas.
Folclore
Um vigarista se fazendo passar por jurista de mérito vem a Curitiba e é bajulado no governo, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Acaba dando a aula inaugural de Direito Constitucional da Faculdade de Direito Federal. Na segunda feira a farsa é desmontada e o badalado conferencista preso. Encontro o professor Altino Portugal Soares Pereira, mestre de Direito Civil, no Banco do Estado e ele, sério demais para fazer ironias, observa: ''sabe que o homem tratou direitinho do tema?'' Prendeu a atenção e depois foi preso.
Nudismo
O homem nu, gigante que expressaria o ''homo paranaensis'' na praça 19 de Dezembro, como a mulher pelada, que simboliza a justiça, eram separados, pois a fêmea, produzida em escala não compatível para figurar ao lado do distante parceiro, permanecia no gramado aos fundos do Palácio Iguaçu. Se uma escultura é enrustida, imagine o ato de sair pelado por aí. O curitibano está mudando.
Balê
Houve um tempo em que a moda cultural da Capital era o balê, bom por sinal. Mas parte do público tinha o hábito de aplaudir em cena aberta a bailarina que adejava. Só faltava dar uma de Dadá Maravilha e parar no ar como ele próprio, o beija-flor e o helicóptero.





