LUIZ GERALDO MAZZA
Explosão verbal
Paranaguá já sofreu com explosões: as mais fortes, no século passado, as da fábrica de fogos de Aníbal Paiva e a do incêndio do setor madeireiro do Porto e que levou mais de uma semana para ser debelado e recentemente, ainda na primeira gestão requiônica, o estouro do silão público. Ontem houve uma forma de explosão retórica: o ex-prefeito e candidato do PMDB Mário Roque baixou o chanfalho de forma violenta nos irmãos Roberto e Eduardo, apontando-os como causa maior dos padecimentos da cidade. Só faltou atribuir as desventuras ao estilo nepotista de agir porque não poupou sequer dona Maristela, a esposa.
Pra quem gosta de contundência foi um festival e nessa hora os paranaenses lastimam que enquanto a malha portuária de Santa Catarina avança e favorece as cidades em que atua como Itajaí, São Francisco e Itapoá, a de Paranaguá é alvo de seguidas e pesadas críticas da Marinha de Guerra, que se vê impelida a baixar o calado do Canal da Galheta, do Tribunal de Contas da União, da Antaq, Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
Se os parnanguaras sentirem na reação de Mário Roque aquilo que a maioria gostaria de dizer, ele pode ter algum ganho na campanha eleitoral em que o prefeito Baka está bem à frente e que jamais faria uso do tipo de linguagem pesada da catilinária inesperada, sensível, no entanto, ao povão.
Armação
Como se olhava, obviamente, como ''armação'', o ato de intervenção de Requião em Paranaguá (aliás anunciado na TV local, do Ratinho, antecipadamente) e que deve ter sido um ''tiro no pé'', há quem veja nessa agressão verbal uma jogada ensaiada centrada no fundamento de que a colagem do governador só prejudica o candidato peemedebista e favorece o prefeito que aspira a reeleição. Ainda que contraditória e oblíqua, essa seria uma saída para descolar-se de Requião.
Na verdade a bronca é contra a forma como se fez a intervenção. Atabalhoada e que favoreceu o adversário.
Folclore
Mário Roque, angolano, não escapou de apelidos, algo que Paranaguá faz com carinho e talento. Quando nomearam o Francisco Deliberador, pé-vermelho e ex-prefeito de Ibiporã, batizaram-no de ''Olho de Garopa'' por causa de um dos olhos projetado. Mário com aquele cabelo vermelho e tocando um fusca branco foi chamado de ''ovo frito''. Se a cidade achar que o ''ovo frito'', batizado pelo povo, expressou sua indignação pode dar caldo, uma omelete eleitoral.
Agora, se a estratégia der certo, vai ser o ''Roque Pauleira''.
Fim de ciclo
Hoje na ''escolinha'' Requião volta à ofensiva para mostrar que domina tudo (contestá-lo lá seria temerário) e não há fundamento na afirmativa de que seus últimos atos (o drible na Súmula 13) seriam um fim de ciclo ou de dinastia.





