LUIZ GERALDO MAZZA
Como perdemos identidade
Neste fim de semana estive em Paranaguá, numa promoção acadêmica, sob o título instigante ''Paraná-Quem Somos?''. Damos seguidos exemplos de uma contribuição dirigida para a perda de identidade, tão discutível pelo fato de sermos multifacetados como expressões tão nítidas como as do norte paulista-mineiro, as do oeste-sudoeste gaúcho-catarinense e o contingente da tradição (embora em mudança permanente) do sul.
A mais recente dessas contribuições foi a transferência, já consolidada, da Rádio Club Paranaense para a Eldorado de São Paulo, do grupo Estadão. A Prb-2 era a terceira emissora implantada no país em 27 de julho de 1924, portanto com oitenta e quatro anos de existência. Ter empresas absorvidas, por imperiosidade do mercado e da globalização, é parte do processo como o que se deu com Hermes Macedo, Refripar, Móveis Cimo, Nossa Senhora da Penha e mais recentemente a Matte Leão. Já as empresas de comunicação sempre se caracterizaram por esse esforço de expressão local, regional. É o que se viu com jornais, rádios e tvs da terra na resistência às pressões dos gaúchos da RBS que absorveram as mídias de nossos vizinhos catarinenses.
HAJA DESLEIXO
Meios de comunicação, que se deixaram cooptar de forma sistêmica, especialmente nas relações com o governo, estabelecendo, com raras exceções, um convívio de tutela, têm culpa demais no cartório para o exercício
de uma autocrítica abrangente. As TVs de Paulo Pimentel, ao serem vendidas ao Ratinho, permanecem com gente da terra. Urge lembrar que não soubemos aproveitar a circunstância de durante algum tempo a Rede OM, Oscar Martinez, e depois a CNT, ser cabeça de rede nacional. Condenados ao viver autárquico, raras vezes ousamos como no passado distante com a Editora Guaíra ganhávamos expressão nacional com os livros aqui produzidos, dentre eles a obra de um autor maldito norte-americano, John dos Passos, a estante do Pensamento Social com obras de Marx, Engels, Feurbach, e a produção da revista Guaíra que tinha circulação nacional. O romance ''Dona Bárbara'', do presidente venezuelano Rômulo Galegos; e o ''Uaisipungo'' de Jorge Icaza, um dos deflagradores do ''realismo fantástico'' saíram por lá como também o delicioso ensaio de Roger Bastide ''A psicanálise do Cafuné''.
VAMOS À AUSTRÁLIA
Uma das façanhas máximas em ''desparanização'' ocorreu no governo Paulo Pimentel quando o Adir Guimarães ofertou à venda o seu acervo bibliográfico à administração estadual que se enrolou demais e não percebeu o significado do maior conjunto de referências em revistas, almanaques, jornais e livros. O fato é que a Universidade de Camberra na Austrália ficou com a coleção, na qual havia manuscritos de Dario Velozo e Emiliano Perneta. Hoje quem desejar consultá-la já pode aproveitar para conhecer o ornitorrinco, o coala e o inefável canguru.





